quinta-feira, setembro 30, 2010

terça-feira, setembro 28, 2010

FICHAS SUJAS EM SÃO PAULO

Sinal amarelo – SP
Se você é eleitor em São Paulo, pense bem antes de votar em qualquer um dos candidatos da lista abaixo
Candidatos de São Paulo que se enquadram em pelo menos uma das situações abaixo:
- Foram barrados pela ficha limpa;
- São réus em ações penais;
- Foram denunciados como integrantes do esquema dos sanguessugas;
- Tiveram parecer pela cassação nos conselhos de Ética da Câmara ou Senado;
- Foram presos em operações das polícias Civil e Federal

1- Abelardo Camarinha (PSB-SP) – candidato a deputado federal – réu nas Ações Penais 417 (Crime ambiental. Data de autuação: 11/04/2007) e 441 (Crime contra Lei de Licitações e responsabilidade. Data de autuação: 02/08/2007)
O deputado enviou a seguinte mensagem eletrônica ao site:
“Tenho nove inquéritos promovidos por meus adversários, e que estão todos sendo arquivados, nenhum virou processo. E quatro ações, duas de discussões políticas, naturais em campanha, troca de acusações. Em 14 anos como prefeito de minha cidade [Marília], nenhuma condenação. Abelardo Camarinha”
2- Aldo Josias dos Santos (Psol) - candidato a vice-governador - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
3- Airton Garcia Ferreira (DEM) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
4- Aloisio Vieira (PSC) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
5- Antônio Aparecido Rodrigues da Silva (PSL) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
6- Antônio Dirceu Dalben (PPS) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
7- Ataide Souza Pinheiro (Psol) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
8- Carlos Aymar Srur Bechara (PSL) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
9- Celso Russomanno (PP) – candidato a governador – réu nas Ações Penais 427 (Crime contra o patrimônio. Data de autuação: 09/05/2007) e 504 (Peculato. Data de autuação: 12/12/2008)
10- Cesar Aparecido Nunes (PT) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
11- Diniz Lopes dos Santos (PR) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
12- Edna Macedo (PSL) - candidata a deputada estadual. Foi uma das deputadas denunciadas pela CPI dos Sanguessugas. Responde ao processo 12907-62.2007.4.01.3600 na Justiça Federal de Mato Grosso pelos crimes de quadrilha ou bando, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A ex-deputada foi acusada pelos empresários Luiz Antônio Vedoin, Darci Vedoin e Ronildo Medeiros de receber 10% do valor de emendas apresentadas para a compra de ambulâncias. Luiz Antônio disse que pagou R$ 40 mil a Edna em 2005. Desse total, R$ 30 mil foram entregues, segundo a denúncia, em espécie à própria parlamentar. O restante, de acordo com ele, foi depositado na conta de um filho dela. Darci não soube especificar os valores exatos, enquanto Ronildo contou que entregou R$ 20 mil em espécie, em 2004, no gabinete de Edna. Em defesa entregue à Câmara, Edna negou ter negociado emendas com os empresários. "Não há provas nos autos de que os Vedoin tinham capacidade financeira para realizar os pagamentos que estão alegando", afirmou a ex-deputada. Segundo ela, seu filho recebeu um montante da empresa por causa de um contrato para a elaboração de um software de controle de estoque. Edna afirmou, ainda, que o pagamento foi incluído na declaração de Imposto de Renda do filho em 2005. 
“Senhor editor do Congresso em Foco;
1) - Lamentavelmente no Brasil, a palavra de um marginal, corrupto ou ladrão vale mais do que a palavra de um representante do povo. Se o marginal acusa não precisa provar nada, para a mídia tudo passa a ser verdade e o representante do povo então tem que provar que é inocente. Há um a clara inversão do ônus da prova;
2) Perante a Câmara Federal quando foram interrogados o Darcy Vedoin e seu filho Luiz Antônio Vedoin se negaram a responder as perguntas feitas pelos meus advogados que teriam demonstrado que os mesmos estavam mentindo. Por esta razão não sofri nenhuma sansão naquela casa legislativa;
3) Perante a justiça estou provando a minha inocência até porque inexiste qualquer prova de meu enriquecimento ilícito. A bem da verdade durante o meu mandato de Deputada Federal fiquei mais pobre e os membros da minha família também. Nunca ostentei sinais de riqueza;
4) Dentre as acusações que recebi dos Vedoins nenhuma delas foram comprovadas até o presente momento. muito pelo contrário tem sido demonstradas que são contraditórias.
5) Sou serva de Deus e tenho a consciência tranquila que exerci o meu mandato com dignidade, honestidade e a acima de tudo com lealdade aos meus eleitores e amigos. Ando de cabeça erguida e pedindo voto a cada pessoa que encontro.
Estes são os esclarecimentos que entendo necessários.
Obrigada, EDNA MACEDO”

13- Edson Joaquim de Freitas (PP) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
14- Elcio Fiori de Godoy (PPS) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
15- Élio Aparecido de Oliveira (PSC) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
16- Fábio Bello (PMDB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
17- Fauzi Nacle Hamucle (PP) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
18- Félix Sahão Júnior (PT) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
19- Francisco Esmeraldo Felipe Carneiro (PMN) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
20- Francisco Rossi de Almeida (PMDB) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
21- Gildenor Alves Freire (PT) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
22- Hélio Miachon Bueno (PMDB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
23- Jefferson Campos  (PSB) – candidato a deputado federal – réu na Ação Penal  521 (Corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Data de autuação: 15/10/2009)
24- João Carlos Caramez (PSDB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
25- Joneide Gomes Lopes (PTB) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
26- João Paulo Cunha (PT) – candidato a deputado federal – réu na Ação Penal 470 (Crime contra a administração em geral, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Data de autuação: 12/11/2007)
27- José Genoino  (PT) – candidato a deputado federal – réu nas Ações Penais 420 (Falsidade ideológica. Data de autuação: 19/04/2007) e 470 (Crime contra a administração em geral e formação de quadrilha. Data de autuação: 12/11/2007)
O deputado José Genoino disse que não cometeu crime algum e que confia em sua absolvição. As ações penais, afirmou o deputado, se referem a empréstimos legais tomados pelo PT no período em que ele presidiu o partido. Segundo ele, os empréstimos estão sendo pagos pelo PT. Genoino ressaltou que não teve evolução patrimonial desde quando exerceu o primeiro mandato de deputado, em 1983.
28- José Gomes Custódio da Silva (PRP) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
29- José Roberto Tricoli (PV) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
30- Leonice da Paz (PDT) – candidato a dep. estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
31- Liberato Rocha Caldeira (PP) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
32- Liliana Medeiros de Almeida Aymar Bechara (PR) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
33- Luciano Batista (PSB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
34- Luiz Antônio Dias da Silva (PDT) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
35- Márcio Chaves Pires (PT) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
36- Maria Duarte (PTB) – candidata a deputada estadual - barrada com base na Lei da Ficha Limpa
37 - Ney Santos (PSC) – candidato a deputado federal. Esteve preso entre 2003 e 2005 por roubo. O ex-detento é acusado de usar postos de gasolina, uma empresa de factoring e uma ONG para lavar dinheiro. Também é acusado de ter ligação com a principal facção criminosa de São Paulo. Na semana passada, ele conseguiu um habeas corpus na Justiça que revogou o pedido de prisão temporária expedido contra ele no último dia 17. Operação da Polícia Civil contra o candidato indica que ele movimenta R$ 6 milhões por mês com uma rede de 15 postos de combustíveis. Desde que deixou a prisão, segundo a polícia, ele acumulou patrimônio de R$ 100 milhões. Os bens do candidato estão bloqueados pela Justiça.

38- Nelson Morale Junior (Psol) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
39 - Névio Luiz Aranha Dartora (PSDB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
40 - Paulo Henrique Pastori (PTC) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
41 - Paulo Maluf (PP) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa e réu nas Ações Penais 477 (Crimes contra o sistema financeiro nacional. Data de autuação: 18/03/2008 e 461 (Formação de quadrilha ou bando, crime contra o sistema financeiro nacional, crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores e competência. Data de autuação: 26/09/2007). Preso em 2005 pela Polícia Federal, acusado de liderar uma quadrilha que cometia crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no Estado. A prisão foi decretada pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Além disso, seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol, uma relação com o nome de pessoas procuradas por crimes internacionais. Com isso, o ex-prefeito de São Paulo pode ser preso ao entrar em um dos 181 países que são membros da política internacional. A decisão da prisão pela Interpol não pode, no entanto, ser cumprida no Brasil.
42 - Paulo Pereira da Silva (PDT) – réu na Ação Penal 421 (Estelionato, crimes contra a fé pública e concussão. Data de autuação: 25/04/2007). Respondeu a processo de cassação por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara em 2008, acusado de participar de um esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desbaratado pela Operação Santa Teresa. O relator, Pedro Piau (PMDB-MG), recomendou a cassação com base em inquérito da Polícia Federal. Para o relator, cheques rastreados indicariam que o deputado se beneficiou do esquema por meio de duas ONGs. O relatório dele, no entanto, foi derrubado por dez votos a quatro, e Paulo Pereira da Silva, absolvido.
43 - Paulo Roberto Gomes Mansur (Beto Mansur) (PP) – candidato a deputado federal - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
44 - Raimundo Taraskevicius Sales (DEM) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
45 - Ricardo Rodrigues Pereira (PCB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
46 - Ronaldo Ferreira da Costa (PPS) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
47 - Rosveres Celestino (PSB) – candidato a deputado estadual - barrado com base na Lei da Ficha Limpa
48 - Vadão Gomes (PP-SP) – candidato a deputado federal – réu na Ação Penal 364 (Emprego irregular de verbas ou rendas públicas. Data de autuação: 17/12/2003)
49 - Valdemar Costa Neto (PR-SP) – candidato a deputado federal – réu na Ação Penal 470 (Crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral, quadrilha ou bando, crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos ou valores. Data de autuação: 19/04/2007)

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FOLHA DE SÃO PAULO:

Vantagem de Dilma sobre rivais cai para 2 pontos e aumenta chance de 2 turno
Candidata do PT oscila 3 pontos para baixo em 5 dias e agora tem 51% dos votos válidos, segundo instituto
Serra oscila para 32% de votos válidos, e Marina vai a 16% nesse quesito; petista registra queda em todos os segmentos
FERNANDO CANZIAN
DE SÃO PAULO
A seis dias da eleição, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, já não tem mais garantida a vitória em primeiro turno, revela nova pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país.
Segundo o levantamento, Dilma agora perde votos ou oscila negativamente em todos os estratos da população.
Nos últimos cinco dias, Dilma perdeu três pontos percentuais entre os votos válidos que decidirão o pleito. Ela recuou de 54% para 51% -e precisa de 50% mais um voto para ser eleita.
Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Dilma pode ter 49% dos votos válidos. Ou 53%, o que a levaria ao Planalto sem passar por um segundo turno eleitoral.
Ainda considerando os votos válidos, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, apenas oscilou positivamente, de 31% para 32%.
Marina Silva, do PV, também oscilou positivamente dentro da margem de erro. Passou para 16%, ante os 14% que tinha na última pesquisa, realizada entre os dias 21 e 22 de setembro.
Houve queda ou oscilação negativa para a candidata escolhida pelo presidente Lula para sucedê-lo em todos os estratos da população, nos cortes por sexo, região, renda, escolaridade e idade.
Uma das maiores baixas (queda de 5 pontos nas intenções de voto) se deu entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos (entre R$ 1.021,00 e R$ 2.550,00). Cerca de 33% da população brasileira se encaixa nessa faixa de renda.
Dilma vem perdendo votos desde a segunda semana de setembro. Foi quando o escândalo envolvendo tráfico de influência na Casa Civil levou ao pedido de demissão de sua ex-principal assessora, Erenice Guerra.
De lá para cá, o total das intenções de voto em Dilma caiu de 51% para 46%. Já a soma de seus adversários subiu de 39% para 44%.
Considerando somente os votos válidos, a diferença entre Dilma e os demais candidatos despencou de 14 pontos há duas semanas para 2 pontos agora.
A pesquisa mostra também que houve forte "desembarque" da candidatura Dilma entre as mulheres (queda de 47% para 42%) e entre os eleitores mais escolarizados, com curso superior.
Na simulação de segundo turno entre Dilma e Serra, a vantagem da petista também caiu. No levantamento anterior, Dilma tinha 55% das intenções de voto. Agora, tem 52%. Serra, que antes tinha 38%, agora tem 39%.

segunda-feira, setembro 27, 2010

ELEITOR ENVERGONHADO
Só pode ser caveira de burro enterrada

E eis que ressurgem, pelas mãos de um governo, cujas origens partidárias estão fincadas no terreno da sociedade civil, as velhas assombrações da república autoritária brasileira, como o nacional-estatismo, o corporativismo, o viés anti-republicano em nome de imperativos da democracia substantiva, e, pior, os ideais grão-burgueses de potência mundial. Só pode ser a caveira de burro.

LEIA MAIS: A caveira de burro e a democracia, Luiz Werneck Vianna, Valor Econômico - 27/09/2010



Chavismo vence eleições, mas perde maioria de dois terços no Parlamento

Hugo Chávez
Chávez pediu que seguidores no twitter 'esperem e não desesperem'
O governo do presidente Hugo Chávez conquistou a maioria das vagas nas eleições para o Parlamento realizadas no domingo, mas perdeu a maioria qualificada, o que levará a base governista na Assembleia Nacional a ter de negociar com a oposição a aprovação de projetos de leis.
De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, o partido governista PSUV conquistou 95 cadeiras das 165 em disputa. A oposição, por sua vez, ficou com 61 vagas, mais de um terço das composição da Casa. O partido dissidente do chavismo, PPT, obteve duas vagas. Ainda estão por ser contabilizados os votos de outros sete postos que ainda devem ser anunciados nesta segunda-feira.
A participação dos eleitores foi de 66,45%, uma das mais altas da história para eleições legislativas.
"Nós alcançamos um importante resultado eleitoral, mas não foi possível conseguir os dois terços. Temos por enquanto 95 deputados, uma maioria contundente", afirmou o dirigente do PSUV Aristobulo Isturiz, diante de milhares de simpatizantes do governo, que pediam a presença de Chávez e esperavam o anúncio de uma vitória mais ampla. O presidente venezuelano, porém, não apareceu.
"A meta não foi alcançada, mas esse esforço nos reafirma como a primeira força política do nosso país", afirmou Isturiz, em um brevíssimo discurso.
Twitter
Minutos depois, Chávez escreveu em seu perfil no twitter: "Socialismo bolivariano e democrático. Devemos continuar fortalecendo a revolução. Uma nova vitória do povo, parabéns", escreveu o presidente.
Apesar disso, os resultados não correspondem às expectativas do governo, que horas antes, extra-oficialmente, comemorava a conquista de pelo menos dois terços da Assembleia Nacional.
O governo buscava manter a maioria absoluta na casa, de pelo menos dois terços das cadeiras do Parlamento, para poder avançar com as reformas do projeto da revolução bolivariana, sem ter de negociar com a oposição.
O resultado é uma "derrota" para governo, na opinião do analista político Javier Biardeau, professor da Universidade Central da Venezuela.
"É uma derrota política que aponta mudanças no perfil político com que se vinha governando", afirmou.
"É um dos piores cenários para o governo. Voltamos a uma conjuntura semelhante à de 2002", quando a Venezuela viveu o auge da crise política que derivou no golpe de Estado de abril daquele ano, afirmou Biardeau à BBC Brasil.
O porta-voz da coligação opositora MUD, Ramón Guillermo Aveledo, disse que o eleitorado opositor "deverá crescer" nos próximos dois anos, antecipando a disputa para as eleições presidenciais de 2012.
"O que ficou demonstrado é que o país tem uma alternativa que se formou graças à convergência e à unidade de gente muito diferente", afirmou.
A oposição não possuía representação no Parlamento venezuelano desde 2005, quando decidiu retirar suas candidaturas na última hora e optou por não concorrer às eleições, alegando supostas irregularidades no processo eleitoral, que não foram comprovadas posteriormente. Desde então, a Assembleia Nacional é governada por maioria governista qualificada.

domingo, setembro 26, 2010

A Volta do Endividamento Externo
Tem sido dado muito destaque ao fato de que nos últimos anos houve uma redução significativa do endividamento externo líquido brasileiro. A dívida externa deixou de ser um problema. Sem dúvida, mudanças muito importantes ocorreram nessa área, o que foi decisivo para que o país enfrentasse uma grave crise internacional e dela saísse ileso. Pouco se fala, no entanto, que o processo de desindividamento estrangeiro não se processou de forma homogênea entre, de um lado, o setor público e, de outro, o setor privado.


Ocorreu um desindividamento absoluto do primeiro caso, mas longe disso no segundo. A dívida externa do setor público caiu forte e persistentemente no quadriênio que vai de 2005 até 2008, o que, simultaneamente com o acúmulo de reservas internacionais, tornou o governo brasileiro credor líquido em moeda estrangeira. Esse foi um fator destacado para a preservação em plena crise das contas públicas brasileiras, um determinante adicional para que o país superasse a crise internacional.
Todavia, não vem sendo dada atenção para outro movimento simultâneo de extrema relevância: no endividamento externo do setor privado a trajetória foi precisamente oposta. Nesse caso, o endividamento voltou a crescer a taxas expressivas a partir de 2005. Tal evolução somente seria temporariamente interrompida em 2009 devido à crise, sendo logo retomada e com força redobrada ao longo dos oito primeiros meses de 2010 (janeiro a agosto).
Para se ter idéia dos processos basta observar que o resultado líquido dos dois movimentos (público e privado) foi um aumento da dívida externa brasileira de 38,9% no período como um todo (de dezembro de 2005 a agosto de 2010,último dado disponível). Para o setor público (que nas estatísticas do Banco Central não inclui a dívida do setor público financeiro), houve queda do endividamento público (em 6,6% no mesmo período), mas aumento de nada menos do que 87,5% na dívida privada (que inclui a dívida do setor público financeiro e que representava 65% do total em junho de 2010). Supondo que o estoque dessa dívida permaneça constante até o final de 2010, seu ritmo médio de expansão nos seis anos que vão de 2005 a 2010 foi de nada menos do que 18% ao ano. Trata-se de um índice altíssimo com que evoluiu o recurso ao endividamento externo em se tratando do setor privado.

Do blog do Josias de Souza


Hélio Bicudo: ‘País pode caminhar para ditadura civil’

  Eduardo Anizelli/Folha
Durante 25 anos, a biografia de Hélio Bicudo enfeitou os quadros do PT. Com o passar do tempo, o promotor franzino tornou-se um estorvo. Em 2005, ano do mensalão, achou que era hora de se desfiliar.

Na semana passada, Bicudo, 88, voltou ao meio-fio num em defesa da democracia e da liberdade de imprensa. Uma reação a Lula. Acha-o diferente do Lula de quem fora vice, nos anos 80, numa chapa que disputou o governo de São Paulo.

Em entrevista veiculada neste domingo (26) em ‘A Gazeta’, Bicudo declara: sob a liderança de Lula, “o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil”. Vão abaixo algumas de suas declarações:

 

- A democracia está sob ameaça? Acho que sim, porque o presidente da República ignora a Constituição, se acha acima do bem e do mal, e, com uma vitória que está delineada em favor da sua candidata, concentrará todos os poderes da República em suas mãos, além do apoio da maioria dos Estados e da população em geral. Com uma pessoa com esse potencial, e que não vê no ordenamento jurídico do país a maneira de estabilizar as discussões e debates, o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil, sem dúvida.
 


- Depois de 25 anos no PT, imaginou que isso pudesse acontecer? De início, não, mas no final, achava que aconteceria essa reviravolta. Foi marcante aquela carta aos brasileiros que Lula escreveu antes da sua primeira eleição, demarcando uma posição muito mais para o neoliberalismo do que para o socialismo.
 

- Vê diferenças entre o neoliberalismo de FHC e de Lula? Não há nenhuma diferença, porque quem comanda as decisões políticas hoje, como ontem, é o próprio capital.
 

- O PT indicava uma prática diferente? O PT fazia uma oposição bastante forte nos governos Sarney e Fernando Henrique. A partir do governo Lula, a unanimidade popular que ele foi conquistando afastou a oposição do seu caminho. E o que aconteceu? Sobre o mensalão e os outros atos de corrupção apontados, nada se fez. Quando Lula diz que é presidente da República até sexta-feira à noite, e depois fecha a gaveta e só volta na segunda-feira, pratica crime de responsabilidade. Afinal, como presidente ele jurou obedecer às leis do país. E a Constituição não permite que um presidente da República participe da campanha eleitoral como ele está participando. É crime que leva ao impeachment, mas nem os partidos políticos, nem a sociedade civil movem nenhuma pedra contra isso.
 

- O que esperar de Dilma? Quem continuará mandando no país vai ser Lula. Dilma diz que ela é o Lula. Então as coisas continuarão como estão, com a mesma corrupção, o mesmo manejo da coisa pública.
 
- Imaginava voltar às ruas em defesa da democracia? A gente fica frustrado, depois de uma longa luta em prol da democracia, ver o que estamos vendo. E acho que não temos democracia, até pela maneira pela qual se conduz a vida pública, onde um grupelho toma conta do governo, pondo nele seus parentes, seus amigos... Não é o governo do povo. Veja a própria constituição do Supremo Tribunal Federal, onde não se fez uma consulta maior para a escolha dos ministros. Ela foi pessoal, feita pelo próprio presidente. Leis passam na Câmara e no Senado, por atuação da presidência da República, que transformou o Legislativo em algo sem a menor expressão. [...] Quem manda no país, passa por cima das leis é ele, Lula. Vai eleger a presidenta que fará o que ele quiser.
 
- Como vê Lula? Um homem inteligente, que poderia usar essa inteligência para implementar e fortalecer a democracia no país, mas optou por incrementar o poder pessoal. [...] Ele sempre mandou no partido, afastou as lideranças que pudessem competir com ele. É o dono, sente-se acima do bem e do mal.
 
- Os escândalos e o ‘eu não sabia’: Ele sabia de tudo, deixou as coisas escaparem. A oposição não atuou e, hoje, chegamos onde estamos.
 
- Incompetência da oposição? Foi inexistência de oposição.
 
- A saída do PT, em 2005: Saí porque achei que o partido não estava trilhando a estrada que havia traçado no seu nascedouro. Ele deixou de representar o povo. Pode até ter o voto do povo, mas representa os interesses daqueles que o comandam.
 
- Lula e a imprensa: Olha, Lula vive dizendo que a imprensa o prejudica. Eu acho que é o contrário. [...] A imprensa tem ajudado Lula e seus candidatos. Você não pega um jornal, um programa de televisão, que não exiba um retrato dele. O povo não vê o que está escrito além dá manchete. Funciona como propaganda.
 
- Lula e a popularidade: Mis-en-scène... Pergunto: com tudo isso, o que o Brasil conseguiu, do ponto de vista internacional? Zero. A questão da popularidade não tem relação com a eficiência. Olha o caso do Irã. Tem maior vergonha do que isso? Nossa política externa é péssima. O Brasil não conseguiu colocar uma pessoa em cargo relevante no conceito internacional. Em matéria de Direitos Humanos, botaram lá em Genebra uma pessoa que jejuna nessa área. E onde estão os direitos humanos no Brasil, onde o presidente aceita que a Lei de Anistia contemple também torturadores? E a compra de 36 aviões de caça? Uma brincadeira, desperdício de dinheiro público...

- O ‘ato contra o golpismo midiático’, com CUT, UNE, movimentos sociais e políticos governistas: Lula sempre diz que há uma revolução midiática para retirá-lo do poder. Os pelegos dele é que fizeram o movimento em contrário ao nosso.
 
- O manifesto pró-liberdade de expressão: Ontem, mais de 20 mil pessoas já tinham assinado o nosso documento. A semente foi plantada, e agora depende da sociedade. Porque o problema é também de pós-eleição. Repetindo o que já foi dito: se você não vigia, não tem democracia. Deve-se vigiar permanentemente quem governa o país, para que não haja desvios. Seja quem for eleito, independentemente do partido político.
 
- Vê méritos neste governo? A questão é: o que o governo pretende com sua atuação? Para mim, só autoritarismo.
 

- O convívio com Lula: Sim, mas os tempos mudaram completamente. Ele acabou com as lideranças do partido, e lançou uma pessoa que nem era do partido, tradicionalmente, à presidente. Hoje o PT não tem diferença nenhuma dos outros partidos.
 
- A opção por Marina Silva: [...] Entre os candidatos que estão aí, é ela quem tem as melhores condições, do ponto de vista de sua vida, do trabalho que já fez e se propõe a fazer...
Todo poder tem limite 

Editorial na 1ª página da Folha de hoje

Os altos índices de aprovação popular do presidente Lula não são fortuitos. Refletem o ambiente internacional favorável aos países em desenvolvimento, apesar da crise que atinge o mundo desenvolvido.

Refletem,em especial, os acertos do atual chefe do Estado.
 
Lula teve o discernimento de manter a política econômica sensata de seu antecessor. 

Seu governo conduziu à retomada do crescimento e ampliou uma antes incipiente política de transferências de renda aos estratos sociais mais carentes.A desigualdade social, ainda imensa, começa a se reduzir. Ninguém lhe contesta seriamente esses méritos.
Nem por isso seu governo pode julgar-se acima de críticas.O direito de inquirir,duvidar e divergir da autoridade pública é o cerne da democracia, que não se resume apenas à preponderância da vontade da maioria.

Vai longe, aliás, o tempo em que não se respeitavam maiorias no Brasil. As eleições são livres e diretas, as apurações, confiáveis -e ninguém questiona que o vencedor toma posse e governa.
 
Se existe risco à vista, é de enfraquecimento do sistema de freios e contrapesos que protege as liberdades públicas e o direito ao dissenso quando se formam ondas eleitorais avassaladoras, ainda que passageiras. 

Nesses períodos, é a imprensa independente quem emite o primeiro alarme, não sendo outro o motivo do nervosismo presidencial em relação a jornais e revistas nesta altura da campanha eleitoral.

Pois foi a imprensa quem revelou ao país que uma agência da Receita Federal plantada no berço político do PT, no ABC paulista, fora convertida em órgão de espionagem clandestina contra adversários.
 
Foi a imprensa quem mostrou que o principal gabinete do governo, a assessoria imediata de Lula e de sua candidata Dilma Rousseff, estava minado por espantosa infiltração de interesses particulares. É de calcular o grau de desleixo para com o dinheiro e os direitos do contribuinte ao longo da vasta extensão do Estado federal.
 

Esta Folha procura manter uma orientação de independência, pluralidade e apartidarismo editoriais, o que redunda em questionamentos incisivos durante períodos de polarização eleitoral.
 

Quem acompanha a trajetória do jornal sabe o quanto essa mesma orientação foi incômoda ao governo tucano. Basta lembrar que Fernando Henrique Cardoso,na entrevista em que se despediu da Presidência, acusou a Folha de haver tentado insuflar seu impeachment.
 

Lula e a candidata oficial têm-se limitado até aqui a vituperar a imprensa, exercendo seu próprio direito à livre expressão, embora em termos incompatíveis com a serenidade requerida no exercício do cargo que pretendem intercambiar.
 
Fiquem ambos advertidos, porém, de que tais bravatas somente redobram a confiança na utilidade pública do jornalismo livre. 

Fiquem advertidos de que tentativas de controle da imprensa serão repudiadas -e qualquer governo terá de violar cláusulas pétreas da Constituição na aventura temerária de implantá-lo.

sábado, setembro 25, 2010

Editorial: O mal a evitar

25 de setembro de 2010 | 17h 02
A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.
(Do blog do professor Roberto Romano)

Pesquisas viram bagunça

A eleição em São Paulo e as pesquisas que caminham para a desmoralização

Ontem, o Datafolha divulgou números sobre a disputa eleitoral em São Paulo, com entrevistas realizadas no dias 21 e 22: o tucano Geraldo Alckmin aparece com 51% das intenções de voto, e o petista Aloizio Mercadante, com 23%. Hoje, com levantamento feito entre 21 e 23, o Ibope vê o tucano com 48%, e o petista, com 26%. Huuummm… Margem de erro pra lá e cá, pode-se dizer que a variação é possível. Num eventual segundo turno, 55% a 30%. O Vox Populi, aquele, também resolveu dar os seus números: 28% para o senador do PT (notem que poderia se encontrar com a margem de erro do Ibope, que se encontra com a do Datafolha) e, atenção!, 40% para o ex-governador. As pessoas foram entrevistadas entre os dias 18 e 21.
Que fabuloso! O Vox Populi divulga depois uma pesquisa que fez antes e que permitirá a seu marqueteiro sustentar no horário eleitoral: “Olhem o segundo turno aí…” Quando se trata do candidato do PP, Celso Russomano, aí todos eles concordam: 9% no Datafolha e no Vox Populi e 8% no Ibope.
São Paulo tem 30,3 milhões de eleitores. Qual é o objetivo de uma pesquisa? A partir de uma amostragem, descobrir qual é a tendência do todo. Sei:
- no Datafolha, 15,453 milhões de eleitores votam em Alckmin;
- no Ibope, eles seriam 14,544 milhões;
- no Box Populi, apenas 12,12 milhões
Entre um extremo e outro, a ninharia de 3,3 milhões de eleitores.
Mas atenção! Todos seguem os mais rigorosos critérios científicos. Vamos esperar as urnas. Certamente voltaremos a essa questão. O tema está se tornando uma das peças da ridicularia política brasileira — que conseguiu desmoralizar isso também.
(Blog do Reinaldo Azevedo)

sexta-feira, setembro 24, 2010

E o câmbio continua matando!

Autor(es): Luiz Aubert Neto
O Estado de S. Paulo - 24/09/2010
 

Temos chamado a atenção, insistentemente, para o processo de desindustrialização e desnacionalização que vem ocorrendo no Brasil. Nos últimos 20 anos passamos de 5.º maior produtor mundial de máquinas e equipamentos a um modesto 14.º lugar.
A verdade, comprovada em números, é que a indústria do Brasil está sem condições de competir em igualdade. O mais duro é que a perda de competitividade não ocorre do portão para dentro das empresas. Há décadas a indústria vem dando demonstração de força, com melhoria da produtividade, desenvolvimento e inovação tecnológica, numa luta pela sobrevivência, compreendida somente por quem realmente está envolvido com o processo produtivo.
Os desafios são enormes: custo Brasil, que torna as máquinas brasileiras cerca de 43% mais caras; as mais altas taxas de juros do mundo; carga tributária, que representa cerca de 35% dos custos; taxa de câmbio, que faz com que a indústria fique menos competitiva nas exportações e, por outro lado, abre o mercado brasileiro para os produtos importados. MAIS

Apertou o calo, culpe a imprensa


quinta-feira, setembro 23, 2010

Será que a fúria petista é preventiva?

***

Ato insensato

Dora Kramer - Dora Kramer
O Estado de S. Paulo - 23/09/2010
 

O PT quer constranger os veículos de comunicação. É nítida a intenção de fazer com que a imprensa pegue mais "leve" em relação aos fatos novos de cada dia sobre corrupção, nepotismo, empreguismo e o uso partidário do espaço público no governo Luiz Inácio da Silva.

O presidente fala alto e fala grosso na tentativa de levar jornais, revistas e emissoras a acharem "melhor" deixar esses assuntos para depois da eleição a fim de não serem acusados de favorecer candidaturas de oposição.

Como se fosse aceitável suspender os fatos para não atrapalhar os atos de interesse oficial.
A ofensiva é tão agressiva que leva a pensar se não se trata de medida preventiva contra algo que seja do conhecimento do presidente e os demais brasileiros ainda ignoram. MAIS
 Quando todos os agricultores souberem ler e escrever, a agricultura vai dar um salto

 
O agronegócio pede nova instituição
Folha de S. Paulo - 23/09/2010
TENDÊNCIAS/DEBATES
A agropecuária deveria ser pensada de forma estratégica, sob o comando de uma instituição forte, mas única: o ministério do agronegócio
JOSÉ EUSTÁQUIO RIBEIRO VIEIRA FILHO
A agropecuária brasileira precisa ser repensada, e os esforços devem se concentrar no desenvolvimento de uma nova instituição, que planeje o futuro nos alicerces ambiental, energético e da segurança alimentar. Observa-se profunda transformação da agropecuária, baseada na mudança tecnológica.
Vários segmentos se modernizaram, incorporando novas tecnologias. Entretanto, nota-se que existe parte expressiva dos produtores com baixa capacidade de absorção de conhecimento.
Pelo Censo, apenas 8% dos estabelecimentos agropecuários estão na vanguarda tecnológica, pois geram 85% do valor total produzido.O agronegócio é responsável por 25% do PIB. Na cadeia, a agropecuária é responsável por 26% do produto setorial, enquanto a indústria e a distribuição, conjuntamente, respondem por 64%.
Esta é uma tendência internacional, em que há redução da importância da agricultura relativamente à agroindústria e à distribuição. Em 2009, as exportações do setor representaram 43% do total do país.
Contudo, é muito baixa a capacidade de absorção tecnológica da maioria dos produtores. Cerca de 92% dos estabelecimentos são responsáveis por 15% do valor da produção. O grau de instrução é um fator limitante: dos 3,9 milhões de proprietários rurais, 90% possuem qualificação inferior ao ensino fundamental, para não mencionar os 27% que são analfabetos.
Só 9% dos estabelecimentos receberam regularmente assistência técnica em 2006, evidenciando a vulnerabilidade tecnológica.
São necessárias políticas de educação que estimulem as redes de difusão de conhecimento e melhorem o planejamento das regiões rurais. Porém, não é o que acontece.
No orçamento da União de 2009, menos de 1% foi destinado ao conjunto dos ministérios que representam a agropecuária.
Ademais, desde 1999 os escassos recursos destinados ao setor foram pulverizados em crescente número de instituições, fragmentando e fragilizando a ação governamental.
O crescimento produtivo é estimulado pelo desenvolvimento tecnológico, diante da maior competição externa. Uma produção moderna oferta bens em quantidades superiores, mas a preços reais decrescentes, o que causa contenção inflacionária e distribuição relativa de renda. Porém, aos produtos não comercializáveis (feijão e mandioca, por exemplo), existem muitos produtores atrasados.
Os efeitos anti-inflacionário e redistributivo de um alimento mais barato ficam comprometidos no ambiente de baixa incorporação tecnológica.
A falta de acesso às tecnologias, somada ao baixo conhecimento, compromete o futuro, inclusive na manutenção dos níveis inflacionários e da redistribuição de renda.
Concentrar esforços institucionais deveria ser parte do compromisso do próximo presidente.
Não há margem para a aplicação difusa dos recursos públicos em mais de um ministério. Sem juízo de valor, a agropecuária deveria ser pensada de forma estratégica, sob o comando de instituição forte, mas única: o ministério do agronegócio.
JOSÉ EUSTÁQUIO RIBEIRO VIEIRA FILHO, mestre em economia aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, doutor em economia pela Unicamp, é pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), professor da UnB (Universidade de Brasília) e co-organizador do livro "Agricultura Brasileira: Desempenho Recente, Desafios e Perspectivas", a ser lançado pelo Ipea.

A BANDA NUNCA PASSA

(Euflávio Barbosa)

Eu criança, bem me lembro:

Um palhaço colorido, domador bem vestido

e a banda por primeiro.

Os saltimbancos depois, e os bichos dois a

dois enfeitando o picadeiro.

Eu garoto, bem me lembro:

Uma festa religiosa e a presença da Furiosa

a embalar os sonhos meus.

E na hora da quermesse era a música uma prece

a subir aos pés de Deus.

Eu já moço, bem me lembro:

Coração cheio de amores – Qual primavera e

as flores! Meu olhar no teu semblante.

E no coreto se exalta nossa banda linda valsa

a marcar tão meio instante.

Eu velhinho, sei que passo:

No entanto, outras crianças

novo mundo de esperanças !

vão ouvir banda na praça.

Marca a banda esses momentos de sorrisos

e lamentos, mas a banda nunca passa.

Um dia morro, bem sei:

E se meu tempo acabou, fui mesmo eu que passei, não a banda que passou.

... E para que a “BANDA” continue sempre a passar

A Lira Itapevense convida Vossa Senhoria e Familiares para o

Concerto comemorativo do 48° aniversário.

DIA 24 DE SETEMBRO – SEXTA-FEIRA

ÀS 20 HORAS

NO SALÃO DO ITAPEVA CLUBE

Tempos petistas

Merval Pereira - Merval Pereira
O Globo - 23/09/2010



"Por ironia do destino, os militares estão organizando um evento para defender a liberdade de imprensa no mesmo dia em que os sindicatos e os movimentos sociais organizam uma manifestação para atacar a liberdade de imprensa. Os tempos mudaram". O comentário de Paulo Uebel, diretor-executivo do Instituto Milennium, é sintomático dos tempos que estamos vivendo.


O Clube Militar está realizando no Rio um painel intitulado "A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão", hoje à tarde, do qual participarei com Reinaldo Azevedo, da "Veja", e o diretor de assuntos legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura.

Na outra ponta, está programada também para hoje em São Paulo uma manifestação contra a chamada "grande imprensa", com o apoio do PT, da CUT, da UNE e várias organizações não governamentais, e os que se autointitulam "blogueiros independentes", todos, sem exceção, financiados pelo dinheiro público.

Um fato inédito em uma democracia, só registrado na antiga União Soviética - quando os sindicatos tomavam a si a tarefa de controlar seus associados para que atuassem de acordo com as diretrizes governamentais -, é que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo está apoiando o movimento.

Antônio Felício, secretário sindical nacional do PT e secretário de Relações Internacionais da CUT, em artigo publicado no blog do Partido dos Trabalhadores, explicita o que seria essa conspiração, no mais puro chavismo, ou ao estilo do que o governo dos Kirchner está fazendo na Argentina.

Segundo ele, "a verdadeira ditadura do pensamento único" está sendo implantada no país pelas "oito famílias que dominam mais de 80% da mídia impressa, falada e televisionada, e seus satélites".

As ações teriam sido deliberadas "na malfadada reunião do Instituto Millenium, em São Paulo, no mês de março deste ano". E quais seriam as evidências dessa conspiração da "grande imprensa"?

As diversas reportagens publicadas recentemente denunciando tráfico de influência, corrupção e o aparelhamento do Estado com a utilização de órgãos estatais para fins políticos, como a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e ao próprio candidato da oposição à Presidência, José Serra, ou simplesmente para empregos de parentes e amigos em órgãos públicos.

A mais recente denúncia sobre tráfico de influência alcançou o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. A estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cujo Conselho de Administração ele preside, contratou por R$6,2 milhões uma empresa onde seu filho trabalha como representante comercial.

Também ontem se descobriu que uma filha do presidente dos Correios havia sido contratada pelo Gabinete Civil, uma prática nepotista de contratações cruzadas, já que foi Erenice Guerra quem indicou o presidente dos Correios.

São essas denúncias, que já provocaram a demissão de uma ministra de Estado e meia dúzia de dirigentes estatais, que os sindicalistas consideram exemplares da manipulação do noticiário com o objetivo de levar a eleição para o segundo turno.

Esse ambiente de tensão política está sendo alimentado pelo próprio presidente Lula, que vem desfilando de palanque em palanque, dedicado a eleger sua candidata no primeiro turno e a tentar jogar o eleitorado petista contra os meios de comunicação, que estariam unidos em uma conspiração contra seu projeto político.

A sua atuação na campanha eleitoral, que não leva em conta a ética pública nem respeita a chamada "liturgia do cargo", está sendo denunciada por um documento que foi lido ontem pelo jurista Hélio Bicudo, um fundador do PT, assinado por personalidades como o cardeal arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso e intelectuais como Ferreira Gullar.

O manifesto fala nos riscos do autoritarismo e critica a ação de grupos que atuam contra a imprensa: "É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses".

A preocupação generalizada é com a escalada personalista do presidente Lula, que transforma em inimigos todos os que discordam de seu governo. "É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da democracia, mas um inimigo que tem de ser eliminado".

O documento lembra as diversas ocasiões nesta campanha eleitoral em que o presidente da República escarneceu da Justiça Eleitoral, e seu propósito de eleger uma maioria para poder controlar o Senado: "É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário".

O documento finaliza afirmando que é dever dos democratas, para "brecar essa marcha para o autoritarismo", combater uma "visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis".

O desmanche da democracia

O Estado de S. Paulo - 23/09/2010

A escalada de ataques furiosos do presidente Lula contra a imprensa - três em cinco dias - é mais do que uma tentativa de desqualificar a sequência de revelações das maracutaias da família e respectivas corriolas da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

É claro que o que move o inventor da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, é o medo de que a sequência de denúncias - todas elas com foros de verdade, tanto que já provocaram quatro demissões na Pasta, entre elas a da própria Erenice - impeça, na 25.ª hora, a eleição de Dilma no primeiro turno. Isso contará como uma derrota para o seu mentor e poderá redefinir os termos da disputa entre a petista e o tucano José Serra.

Mas as investidas de Lula não são um raio em céu azul. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele invariavelmente acusa a imprensa de difundir calúnias e infâmias contra ele e a patota toda vez que estampa evidências contundentes de corrupção e baixarias eleitorais no seu governo.

A diferença é que, agora, o destampatório representa mais uma etapa da marcha para a desfiguração da instituição sob a sua guarda, com a consequente erosão das bases da ordem democrática. A apropriação deslavada dos recursos de poder do Executivo federal para fins eleitorais, a imersão total de Lula na campanha de sua afilhada e a demonização feroz dos críticos e adversários chegaram a níveis alarmantes.

A candidatura oposicionista relutou em arrostar o presidente em pessoa por seus desmandos, na crença de que isso representaria um suicídio eleitoral - como se, ao poupá-lo, o confronto com Dilma se tornaria menos íngreme. Isso, adensando a atmosfera de impunidade política ao seu redor, apenas animou Lula a fazer mais do mesmo, dando o exemplo para os seguidores.

As invectivas contra a imprensa, por exemplo, foram a senha para o PT e os seus confederados, como a CUT, a UNE e o MST, promoverem hoje em São Paulo um "ato contra o golpismo midiático". É como classificam, cinicamente, a divulgação dos casos de negociatas, cobrança e recebimento de propinas no núcleo central do governo.

Sobre isso, nenhuma palavra - a não ser o termo "inventar", usado por Lula no seu mais recente bote contra a liberdade de imprensa que, com o habitual cinismo, ele diz considerar "sagrada". O lulismo promove a execração da mídia porque ela se recusa a tornar-se afônica e, nessa medida, talvez faça diferença nas urnas de 3 de outubro, dada a gravidade dos escândalos expostos.

Sintoma da hegemonia do peleguismo nas relações entre o poder e as entidades de representação classista, o lugar escolhido para o esperado pogrom verbal da imprensa foi o Sindicato dos Jornalistas. O seu presidente, José Camargo, se faz de inocente ao dizer que apenas cedeu espaço "para um debate sobre a cobertura dos grandes veículos".

Mas a tal ponto avançou o rolo compressor do liberticídio que diversos setores da sociedade resolveram se unir para dizer "alto lá".

Intelectuais, juristas, profissionais liberais, artistas, empresários e líderes comunitários - todos eles figuras de projeção - lançaram ontem em São Paulo um "manifesto em defesa da democracia", que poderá ser o embrião de um movimento da cidadania contra o desmanche da democracia brasileira comandado por um presidente da República que acha que é tudo - até a opinião pública - e que tudo pode.

Um movimento dessa natureza não será correia de transmissão de um partido nem estará atado ao ciclo eleitoral. Trata-se de reconstruir os limites do poder presidencial, escandalosamente transgredidos nos últimos anos, e os controles sobre as ações dos agentes públicos.

"É intolerável", afirma o manifesto, "assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais."

"É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade." O texto evoca valores políticos que, do alto de sua popularidade, Lula lança ao lixo, como se, dispensado de responder por seus atos, governasse num vácuo ético.

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