domingo, outubro 31, 2010

NoblaTV - Uma incógnita chamada Dilma

sábado, outubro 30, 2010

O homem que lê
Ocorre que
Editorial do Estadão

Para construir o futuro

29 de outubro de 2010 | 23h 02
O germe de um capitalismo de compadrio e de favores já se instalou e prosperou nos centros de poder nos últimos anos. 


Quem suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva só poderá construir o futuro e consolidar o Brasil como grande economia se for capaz, em primeiro lugar, de proteger a estabilidade conquistada a partir dos anos 90. Precisará cumprir uma longa agenda para modernizar o País, torná-lo tão competitivo quanto as economias mais dinâmicas e garantir seu lugar entre as potências. Mas, para isso, o governo terá de abandonar o voluntarismo, renunciar à farra com dinheiro público e retomar o caminho da responsabilidade.

Esse caminho foi claramente abandonado e a mais nova comprovação desse fato é a escandalosa manipulação das contas públicas.

Nenhum avanço teria sido possível, nos últimos oito anos, sem a base construída até 2002. O combate à pobreza teria sido muito menos eficiente se a inflação desenfreada continuasse corroendo cada aumento salarial e cada centavo das políticas sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu esse fato e por isso respeitou a ação do Banco Central, mesmo contra as pressões dos companheiros e aliados. Mas seu compromisso com a política responsável tem sido cada vez mais frouxo - tanto mais frouxo quanto maior a sua dedicação ao jogo eleitoral e ao seu projeto de poder.

O próximo governante deverá, portanto, enfrentar uma dupla tarefa, se não quiser condenar-se ao fracasso. Terá de afastar o risco de um retrocesso, preservando o tripé da estabilidade: uma política realista de metas de inflação, respeito à responsabilidade fiscal e câmbio flutuante.

Para manter esse rumo, terá de corrigir uma série de desvios. Precisará conter a expansão do gasto corrente, abandonar a demagogia com os salários do setor público, renunciar ao empreguismo e ao aparelhamento do governo. Deverá buscar a eficiência do setor público - inaceitável para a ideologia petista - e buscar o máximo retorno para cada centavo do orçamento.

Uma efetiva poupança pública será indispensável tanto para o crescimento seguro da economia quanto para a adoção de uma política anticíclica digna desse nome, como a adotada, por exemplo, no Chile: economizar em tempos de prosperidade para gastar nas fases difíceis.

Com o manejo responsável e eficiente do dinheiro público, realizar a decantada reforma tributária será muito mais fácil. Será necessária, naturalmente, uma complicada negociação com Estados e municípios, uma tarefa evitada, durante oito anos, pelo presidente Lula.

Se o próximo governo fracassar nesse item, por incompetência ou indisposição para missões difíceis, o empresário brasileiro continuará em séria desvantagem no jogo internacional. Mais que isso, poderá encontrar dificuldade crescente para competir e, portanto, para produzir e criar empregos. Todos os candidatos prometeram trabalhar por essa reforma. Nenhum, no entanto, detalhou a promessa nem disse como enfrentará a tarefa.

Se quiser garantir uma nova e prolongada prosperidade, quem suceder ao presidente Lula deverá resistir à tentação de controle pessoal ou partidário da economia. Terá de renunciar à ideia de reestatizar empresas bem-sucedidas no setor privado e também ao uso de instrumentos de governo, como os bancos públicos, para operações promíscuas.

Não faltarão empresários dispostos a construir com o grupo governante esquemas de dominação econômica disfarçados de projetos nacionalistas. O germe de um capitalismo de compadrio e de favores já se instalou e prosperou nos centros de poder nos últimos anos. É tempo de combater esse germe, não só em benefício da economia, mas também do regime democrático.

A construção do futuro dependerá igualmente de um retorno à diplomacia realista e eficiente, guiada pelo interesse nacional bem compreendido e não por ilusões ideológicas dos anos 60.

Seja quem for o novo ocupante do Palácio do Planalto, precisará de ideias claras e de muita determinação para cuidar dessas tarefas. Enfrentará pressões de grupos instalados no aparelho estatal e de grupos nutridos pelo setor público e acomodados à sua sombra, como os agentes do peleguismo sindical e estudantil. A construção, em algumas áreas, dependerá de um trabalho prévio de demolição.
DEBATE NA GLOBO
Ontem, sem poder esbravejar, sem poder lançar acusações ao vento, sem poder satanizar o governo FHC, Dilma se mostrou ao público quase como é: uma invenção de Lula que quase tem idéias mais ou menos claras sobre quase tudo.REINALDO AZEVEDO

sexta-feira, outubro 29, 2010

Governo gastador provoca inflaçao   

BC CULPA GOVERNO POR INFLAÇÃO MAIOR

Autor(es): Victor Martins
Correio Braziliense - 29/10/2010
 

Despesas públicas em alta e crédito farto oferecido pelos bancos federais são os principais motivos para a elevação das projeções de preços, afirma o Banco Central. Sem uma alteração de rota na política fiscal, um novo aperto monetário será obrigatório. MAIS

quinta-feira, outubro 28, 2010

Pesquisas desmoralizadas 



Pesquisas já não servem de conforto
Folha de S. Paulo - 28/10/2010
RENATA LO PRETE
AINDA QUE o antepenúltimo Datafolha da sucessão presidencial de 2010 tenha contribuído para tranquilizar integrantes da campanha de Dilma Rousseff -entre os quais havia, na véspera, quem genuinamente esperasse por uma redução da vantagem sobre José Serra-, a atitude petista hoje em nada lembra o excesso de confiança exibido na reta final do primeiro turno. Mesmo com o quadro de estabilidade desenhado pela pesquisa, encontra-se, entre as vozes alinhadas com o governismo, até a opinião de que o debate da Rede Globo, amanhã à noite, poderá ser "decisivo". Sério? Com 12 pontos de diferença pelo critério de votos válidos? Uma combinação de fatores explica esse surto de cautela. Para começar, a zona de conforto de Dilma, embora razoável se considerado o curto intervalo de três dias daqui até a votação, não se compara à de Lula na mesma altura em 2002 (28 pontos sobre Serra) ou 2006 (22 sobre Geraldo Alckmin). Existe ainda a necessidade de manter a tropa em estado de alerta. O triunfalismo, antes adequado ao propósito de "criar um clima" para tentar liquidar a eleição pela via rápida, agora poderia desmobilizar a militância, tantas vezes valiosa para o PT na hora decisiva. Acrescente-se a desconfiança que paira sobre as pesquisas em consequência dos erros cometidos no primeiro turno. Ela não atinge apenas o eleitor. Introduz um permanente "e se?" também na cabeça dos operadores da política. Os levantamentos internos da campanha de Serra apontam Dilma à frente, porém bem mais próxima do tucano. A fotografia é semelhante à do GPP, historicamente ligado ao DEM, e diferente da apresentada pelos principais institutos. É perfeitamente possível que estes últimos estejam certos -ou menos errados-, mas a dúvida sobrevive em razão de uma "verdade inconveniente": computadas tanto pesquisas feitas para divulgação quanto para consumo interno, os números apurados pela campanha de Serra foram os que mais se aproximaram do resultado do primeiro turno; os de Dilma superestimaram por larga margem sua dianteira. Por fim, há a peculiaridade de uma disputa em que nenhum dos dois finalistas, sem prejuízo dos milhões de votos recebidos e a receber, conseguiu empolgar o eleitor. Isso se reflete não somente no que ainda resta de indecisos (8%, segundo o Datafolha, contra 6% no mesmo momento de 2002 e 3% quatro anos atrás) mas também em fenômenos menos quantificáveis. Nas "quális", mediadores se impressionam com a inconsistência da defesa tanto de Dilma quanto de Serra. Não raro, participantes mudam de voto uma ou duas vezes na mesma sessão. A questão, no entender de quem acompanhou eleições anteriores, é a escassez de argumentos à disposição do eleitor. Chama a atenção que Lula seja, até hoje, "o" atributo conferido a Dilma nos grupos. Quanto a Serra, que buscou ser aceito como "continuador", acabou confinado ao cercado que a força do presidente no eleitorado lhe impôs. À diferença do que aconteceu nos dias anteriores ao primeiro turno, não há movimentação visível. Mas, num terreno assim pantanoso, não estranha que tenha gente enxergando jacaré embaixo da cama.

AS ENCARNAÇÕES DE LULA


"Lula vive a sua quarta encarnação. Ele foi o expoente do novo movimento sindical aos 30, o líder de um partido de massas aos 40, o presidente salvacionista aos 60. Agora, aos 65, virou mito. O mito, contudo, é feito de papel. Ele vive nos ensaios dos intelectuais que se rebaixam voluntariamente à condição de áulicos e nos artigos de jornalistas seduzidos pelas aparências ou atraídos pelas luzes do poder."  DEMÉTRIO MAGNOLI
Bolivariano-chavismo
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Agência das versões oficiais

O Estado de S. Paulo - 28/10/2010

Má notícia, embora de forma alguma inesperada: o Brasil, por meio da empresa estatal de comunicação EBC, ligada à Presidência da República, será um dos nove países da região a participar da União Latino-Americana de Agências Noticiosas (Ulan), cuja criação foi decidida na semana passada, numa reunião paralela ao 3.º Congresso Mundial de Agências de Notícias, que se realizava em Bariloche.

A notícia é má, em primeiro lugar, porque a iniciativa atende a uma pregação do dirigente venezuelano Hugo Chávez - para quem a liberdade de imprensa nesta parte do mundo é a liberdade de exaltar a sua assim chamada Revolução Bolivariana e o "socialismo do século 21" que intenta propagar entre os vizinhos. Há tempos, já, o caudilho vem defendendo a formação de uma empresa jornalística regional para contrapor ao noticiário das grandes agências internacionais uma versão supostamente idônea dos fatos na América Latina. MAIS
Jeito petê de ... enganar

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A mágica do Tesouro 

O Estado de S. Paulo - 28/10/2010
O governo continua inventando expedientes para ocultar a deterioração das contas públicas. Desta vez, aproveitou a capitalização da Petrobrás para inflar a receita do Tesouro Nacional e produzir um superávit primário de R$ 26,1 bilhões em setembro. Seria o maior resultado primário de todos os tempos, se fosse real. Mas esse número - mais um prodígio nunca antes visto na história deste país - é uma ficção. Sem recorrer a ela, o Ministério da Fazenda estaria exibindo, na melhor hipótese, um déficit de R$ 5,8 bilhões. Esse é um claro sinal do descontrole do gasto. Com a economia crescendo em ritmo igual ou superior a 7% ao ano, a administração federal deveria exibir uma excelente saúde financeira. MAIS
LULA VAI MANDAR OU DILMA VAI DAR UM CHEGA-PRÁ-LÁ?  


"Se as pesquisas estiveram certas e a eleita for Dilma Rousseff fica tudo bem mais fácil. Ou não. Há duas possibilidades: a primeira, a de que Dilma seja tutelada por Lula, faça as coisas como ele acha que devam ser feitas e permita que ele tenha um espaço tal no governo que torne sua presença um fato constante e destacado no noticiário.

Nessa hipótese teremos o governo todo posto a serviço da campanha presidencial de Lula para 2014 e muita contestação à atitude da presidente.

A segunda, que muita gente no PT e fora dele, mas com experiência de poder, considera a mais provável, é a de que Dilma exerça o poder na plenitude. Mas só depois de um período, digamos, de quarentena, para tomar pé da situação e externar seu agradecimento ao antecessor pela eleição.

Em português claro, os defensores da segunda hipótese dizem que o efeito da caneta e da cadeira presidenciais é inexorável: quem está de posse de uma e sentado na outra dificilmente aceita dividir o poder." DORA KRAMER

Dólar barato ajuda a elevar a popularidade do governo, mas que prejudica empresas nacionais, prejudica

Brasil perde exportação até para a Colômbia
 
Valor Econômico - 28/10/2010

A valorização do real começa a levar os fabricantes de automóveis a apelar para conexões com países vizinhos para diminuir o custo da exportação. A Renault planeja vender no México o modelo Duster, que será produzido no Brasil no próximo ano. Mas, ao descobrir que fica mais barato abastecer o mercado mexicano a partir da Colômbia, a empresa decidiu transferir esse contrato de São José dos Pinhais (PR) para Medellín. O lado pitoresco da operação é que a fábrica colombiana basicamente monta veículos com componentes comprados principalmente do Brasil. MAIS

Do blog do Villa

O grande vencedor

Publiquei hoje na Folha de S. Paulo:

A QUATRO dias da eleição, independentemente do resultado, o grande vencedor não foi candidato a nada. Ele conseguiu transformar uma desconhecida, sem voo político próprio, sem história no PT, em uma candidata competitiva. Os escândalos do primeiro governo, paradoxalmente, foram fundamentais para fortalecer seu poder sobre o partido. Livrou-se dos rivais. E o PT tem um só dono: Lula.
Foi gradualmente isolando os fundadores do partido. Antigos políticos do pré-64, egressos da luta armada e novas lideranças surgidas na resistência democrática, hoje giram em torno dele. Nada fazem sem a sua anuência. Aguardam que a "estrela de Belém" aponte o caminho. É o velho caudilhismo latinoamericano, messiânico e tosco.
Lula marcou sua vida sindical pela despolitização. Foi o que atraiu a atenção dos ideólogos do regime militar, como Golbery do Couto e Silva, que o recebeu várias vezes. Era uma espécie de muro de contenção contra os comunistas e o populismo representado por Brizola, os únicos adversários considerados pela ditadura.
O presidente sempre desprezou a discussão política, de princípios, de programas. Política foi, para ele, algo enfadonho, sem interesse, um debate sobre o nada. Quando obteve o domínio absoluto do PT, após a crise do mensalão, finalmente pode fazer o que sempre desejou, sem ter de prestar contas às instâncias partidárias. Além do que, tinha nas mãos o "Diário Oficial", que, no Brasil, funciona como um poderoso argumento.
Surfou no segundo mandato sem ter qualquer oposição. A confortável maioria no Congresso impediu CPIs e somente perdeu, no Senado, a votação da CPMF. De resto, fez o que bem quis. Deu rédea solta aos oligarcas, entregou fatias do governo e das empresas estatais para que saciassem a sua fome. E estabeleceu sólida aliança com o grande capital especulativo, a nova burguesia lulista, burguesia do capital alheio, dos fundos de pensão e do BNDES.

A aliança conservadora que passou a sustentar o governo é a garantia para o seu projeto continuista. Projeto pessoal. O partido pouco importa. Desde 2008, quando impôs a "mãe do PAC" como candidata, começou a planejar a sua campanha de 2014. Assim como Luís Bonaparte, "produz uma verdadeira anarquia em nome da ordem, ao mesmo tempo que despoja de seu halo toda a máquina do Estado, profana-a e torna-a ao mesmo tempo desprezível e ridícula". E se Getúlio voltou nos braços do povo, em 1950; Lula deseja regressar ao poder, daqui a quatro anos, nos braços dos velhos oligarcas e do capital financeiro.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Dilma: pulo no escuro

Dilma no limite
Folha de S. Paulo - 27/10/2010
FERNANDO DE BARROS E SILVA
"Vocês podem ter certeza, eu estou preparada para ser a primeira mulher presidente do Brasil". Foram as últimas palavras pronunciadas por Dilma Rousseff no debate da TV Record, já no início da madrugada de ontem. Quando um evento como esse chega ao fim e, mais uma vez, ela parece ter sobrevivido, seus assessores só podem comemorar aliviados -ufa! 

O fato é que Dilma não inspira certeza sobre nada. É aflitivo vê-la na TV. Não apenas pelo aspecto rombudo e robótico da sua figura. A aflição de Dilma está estampada no ritmo da sua fala, ao mesmo tempo lenta e acelerada, feita de arranques e soluços, de frases decoradas mas quase sempre truncadas. 

Como o debate foi na emissora de Edir Macedo, falar em Deus pegava especialmente bem. E Dilma falou, mais de uma vez: "No que depender do meu governo se Deus quiser" -assim, sem pausas, sem vírgulas, sem ênfases, como alguém que se desincumbe de um fardo. 

Dilma passa a impressão de estar no limite das suas capacidades, a um triz de um curto-circuito. Isso apesar da vantagem relativamente folgada que abriu sobre José Serra -56% a 44%, segundo o Datafolha. Não se trata, certamente, de uma pessoa despreparada. Dilma tem substância. Mas não é, nunca foi, uma pessoa preparada para chegar à Presidência. É uma neófita. Nem de longe reúne os recursos pessoais para o exercício da função de seus antecessores -Lula ou FHC. Sua candidatura representa a continuidade de um projeto, mas é também um capricho de Lula. Ninguém sabe como ela vai arbitrar conflitos, como irá gerir a máquina do Estado ou como se sairá enquanto líder política. A rigor, ninguém sabe qual a turma que ela pretende atrair para perto de si no poder. A revelação de que Erenice Guerra fez da Casa Civil um centro de arte em família é um péssimo cartão de visitas para quem patrocinou a ascensão da ex-ministra. Sobretudo quando se trata de uma candidata também aclamada no escuro.

terça-feira, outubro 26, 2010


PAULO BROSSARD: A DEMOCRACIA AGREDIDA
Zero Hora
Artigo do Min. Paulo Brossard

Eu era estudante em 1945 e participei da campanha pela redemocratização do país e votei na eleição de 2 de dezembro daquele ano para presidente da República e para a constituinte que elaboraria a Constituição de 18 de setembro de 1946. Encerrava-se o longo e triste ciclo do Estado Novo, durante o qual houve de tudo, a começar pela destruição dos valores democráticos e pelo endeusamento do ditador, à semelhança do que se fizera nos países totalitários da Europa.

E continuei a participar de campanhas e eleições até ser nomeado para o Ministério da Justiça e, posteriormente, para o Supremo Tribunal Federal.

Sempre entendi que o ministro da Justiça não deveria ser parte da campanha, mais do que qualquer outro não podendo ser, ao mesmo tempo, autoridade e ator, pois a ele competiria a adoção de medidas que se fizessem necessárias no período eleitoral. Digo isto para salientar que em mais de 40 anos fui testemunha de muito “excesso” e “abuso”, mas nunca tinha visto o que passei a ver e continuo a assistir dia a dia se agravando.

E isto é tanto mais significativo quando em quase todos os sentidos o país tem progredido e em muitos deles o progresso chega a ser notável; no que tange à instrumentalidade eleitoral, por exemplo, é quase inacreditável o aperfeiçoamento, mas no momento em que o chefe do Estado se despe da faixa presidencial e assume a chefia real e formal da campanha de um candidato e em cerimônia oficial insulta o candidato, por sinal, da oposição, chamando-o de mentiroso, ele se despe da magistratura presidencial, inerente à Presidência, e ingressa no mundo da ilicitude, que, para um presidente, é a mais grave das infrações às suas indisponíveis responsabilidades.

De resto, isto é a porta aberta para a consumação de todas as truculências verbais e físicas. É preciso não esquecer que a violência é doença contagiosa, e com a publicidade que o governo dispõe ele pode incendiar o país.

O presidente quer ganhar a eleição a qualquer custo e pode ganhar, mas a sua eleita pode não governar. Já vi coisa parecida e não terminou bem. O presidente alinhou o Brasil na maçaroca do coronel Chávez. A partir de agora alguém pode sair às ruas portando um cartaz, seja do que e de quem for, sem correr o risco de ser agredido pela guarda de choque do presidente. Foi assim na Itália fascista e na Alemanha nazista.
O que aconteceu ontem instantaneamente ganhou uma versão cor-de-rosa na publicidade do governo. O agredido de ontem não foi o cidadão apontado de “mentiroso” pelo presidente da República, foi cada um de nós, foram as instituições democráticas. Para começar um incêndio basta um fósforo, para extingui-lo pode custar o incalculável.

Não preciso dizer que estou profundamente impressionado com o rumo que o presidente está dando à sua incursão empreendida na orla da horda, ele fez um pacto com a fortuna, do qual o imprevisto é sempre possível.

Mentira mais mentira

Dólar barato ajuda a elevar a popularidade do governo, mas que prejudica empresas nacionais, prejudica

Carro brasileiro perde espaço no México

Autor(es): Marli Olmos
Valor Econômico - 26/10/2010

Veículos:   Montadoras deixam de exportar a partir de fábricas brasileiras e dão preferência às de outros países

Christian Meunier, presidente da Nissan, diz que valorização da moeda é um dos motivos por que a montadora não tem vendido para nenhum país fora do Brasil
Com a valorização do real, as montadoras começam a reduzir as exportações para o México, um mercado que há até pouco tempo era visto pelo setor como um dos mais promissores, em razão do acordo de intercâmbio comercial fechado entre os governos dos dois países há oito anos. Segundo o diretor de exportações da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, é mais barato para a montadora hoje abastecer o mercado mexicano a partir da Europa do que do Brasil.  MAIS

Bolivariano-chavismo

Teste para a liberdade de imprensa

Autor(es): Agencia o Globo
O Globo - 26/10/2010
 

 
São conhecidos os ingredientes do kit de inspiração bolivariano-chavista de cerceamento das liberdades de expressão e, em particular, de imprensa.

Nos mais diversos estágios, o kit é aplicado no Equador, Bolívia e Argentina. No seu lugar de origem, a Venezuela, foi fácil instituir normas restritivas ao trabalho da imprensa depois que a oposição, num enorme equívoco, decidiu não disputar as eleições legislativas de 2005, e permitiu ao caudilho Hugo Chávez controlar o Legislativo. Manietar a Justiça terminou sendo uma decorrência natural.

No Brasil, a primeira parte do método de instituição de mecanismos estatais de vigilância da imprensa independente, profissional, já foi aplicada, na forma da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) — como em outros países —, na qual teatralizou-se a participação da “sociedade” em reuniões regionais para o recolhimento de sugestões de normas de “controle social da mídia”. Na verda de, toda esta mobilização, executada sob os auspícios do Planalto, serviu para que militantes variados — sindicais, partidários, de organizações ditas sociais — defendessem conhecidas teses usadas para justificar a censura sobre a imprensa e a produção cultural, sempre em nome da “democracia”.

Na Argentina, por exemplo, saiu dessas rodadas de “consulta popular” a famigerada Lei de Meios, inspirada pela Casa Rosada com o objetivo de destruir a estrutura empresarial dos dois mais fortes grupos independentes de comunicação do país, “Clarín” e “Nación”. Sob a justificativa de se reduzir a concentração de propriedade na mídia, investe-se contra a diversificação dos grupos, forçando-os a vender canais de TV e rádio, eficiente maneira de restringir a multiplicidade de anunciantes das empresas, razão direta de sua independência.

Quanto menos diversificados os grupos, entre as diversas plataformas de difusão de informações, mais dependentes de verbas públicas — e menos livres. Parte da lei já foi suspensa na Justiça.

A novidade no Brasil é a adoção de sugestões da tal Confecom em alguns estados. Na semana passada, de autoria de uma deputada estadual do PT, Rachel Marques, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou projeto de criação de um conselho, ligado à Casa Civil do governo, para fiscalizar a imprensa, nos moldes da Confecom. Cabe ao governador Cid Gomes (PSB) decidir levar adiante, ou não, a ideia, sem dúvida inconstitucional.

Conselho idêntico está em gestação na Ba-hia estado governado pelo petista Jaques Wagner, reeleito no dia 31. Sua Secretaria de Comunicação, porém, garante não haver intenção de amordaçar a imprensa. (Ora, basta manter a proposta na gaveta). Até em Alagoas, estado tucano, em que o governador Teotônio Villela disputará o segundo turno com Ronaldo Lessa (PDT), existe algo semelhante.

Nem São Paulo escapa: lá também há um projeto em tramitação.

Embora de total fragilidade jurídica, estas investidas regionais são um desafio ao próximo presidente, seja ele Dilma Rousseff ou José Serra, defensores declarados da independência da imprensa, subscritores da Declaração de Chapultepec, carta de princípios em defesa da liberdade de imprensa aprovada por representantes do setor de comunicações das Américas. Os dois sabem que uma das mais importantes missões do jornalismo é fiscalizar as ações do Executivo e do Legislativo.

Portanto, não pode ser controlado por eles.

Bolivarianos

OAB REPUDIA FISCALIZAÇÃO DA MÍDIA PELOS ESTADOS

É inconstitucional Estados vigiarem mídia, avisa OAB
Autor(es): Lucas de Abreu Maia
O Estado de S. Paulo - 26/10/2010
 

A Ordem dos Advogados do Brasil repudiou ontem iniciativas, debatidas em ao menos quatro Estados, que visam a criar conselhos estaduais para fiscalizar e monitorar a mídia. Para a entidade, medidas desse gênero são inconstitucionais. A OAB se disse preocupada com os males que esses órgãos possam causar "à livre manifestação de expressão e a liberdade de imprensa, fundamentais para a normalidade do Estado de Direito". 0 presidente da entidade, Ophir Cavalcante, assinalou que a OAB poderá questionar judicialmente a criação dos conselhos.

Em nota, a entidade repudia iniciativas de criação de conselhos de fiscalização em debate no Ceará, no Piauí, na Bahia e em Alagoas

 
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reagiu com veemência à criação de conselhos estaduais para fiscalizar e monitorar a mídia. Em nota divulgada ontem, a entidade repudiou as iniciativas, debatidas em ao menos quatro Estados, e as classificou de "inconstitucionais".
 
Na semana passada, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou a criação de um conselho de fiscalização da mídia no Estado. Piauí, Bahia e Alagoas também pretendem criar seus próprios colegiados - desta vez por iniciativa do Executivo. A criação de conselhos estaduais para monitorar a mídia surgiu na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada pelo governo no ano passado.

A polêmica ocupou a maior parte da reunião dos presidentes das 27 seccionais da OAB, ontem, em Brasília. Em nota de repúdio à criação dos conselhos, aprovada por unanimidade, a Ordem se diz preocupada com os males que esses órgãos "podem causar à livre manifestação de expressão e à liberdade de imprensa, fundamentais para a normalidade do Estado Democrático de Direito".

O presidente da entidade, Ophir Cavalcante, assinalou que a OAB poderá questionar judicialmente a criação dos conselhos. "Não podemos tolerar iniciativas que, ainda que de forma disfarçada, tenham como objetivo restringir a liberdade de imprensa. A OAB vai ter um papel crítico e ativo no sentido de ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) contra a criação desses conselhos", afirmou.

A Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert) também classificou de "inconstitucionais" as medidas. "De acordo com a Constituição, não cabe às assembleias criar esse tipo de conselho", disse Rodolfo Machado Moura, diretor de assuntos jurídicos da associação.

O diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, também reagiu à criação dos conselhos. "É preocupante imaginar que possa haver instâncias controladas pelo Poder Executivo capazes de avaliar o que é conveniente para ser veiculado pelos meios de comunicação".

O presidente da Associação Nacional dos Editores de Revista (Aner), Ricardo Muylaerte, acredita que "o que está sendo proposto é uma maneira de "comer pela beirada" o assunto da censura propriamente dita".
Inconstitucional. O governo do Piauí rechaçou a proposta de criação de conselhos estaduais de comunicação no Estado após parecer da Procuradoria Geral do Estado, que classificou a proposta de inconstitucional, alegando que a matéria é de competência da União. "Não passa pela cabeça do governador Wilson Martins qualquer tipo de cerceamento de liberdade de expressão", assegurou o coordenador de comunicação do Estado, jornalista Fenelon Rocha.

O deputado estadual e presidente do PT, jornalista Fábio Novo, diz ser favorável aos conselhos para coibir abusos, mas defende a liberdade de expressão. Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Carlos Oliveira, o objetivo é democratizar os meios de comunicação e não censurar ou controlar.

No Maranhão, a criação do conselho de imprensa se arrasta desde 2007. A proposta foi entregue ao ex-governador Jackson Lago (PDT) e não foi retomada. As discussões cessaram quando ele teve seu mandato cassado, em abril do ano passado. / COLABORARAM LUCIANO COELHO e WILSON LIMA, ESPECIAL PARA O ESTADO
DÓLAR BARATO AJUDA A ELEGER GOVERNISTAS, MAS QUE QUEBRA OS PRODUTORES NACIONAIS, QUEBRA:
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Deu a louca nos preços
O Globo - 26/10/2010
COM QUEDA DO DÓLAR E ALTA DE ALIMENTOS NO BRASIL, PERU SERÁ MAIS CARO QUE BACALHAU NO NATAL
Queijo francês mais em conta do que o nacional. Doce de leite argentino mais barato que o artesanal brasileiro.
Fabiana Ribeiro e Rennan Setti RIO e BRASÍLIA
Na ceia de Natal, o peru sairá mais caro que o bacalhau — que, por sua vez, está mais barato que o filé mignon. São distorções nos preços como essas que o consumidor passou a encontrar no varejo nas últimas semanas, especialmente por causa da baixa cotação do dólar — que, este ano, acumula queda de 2,29%. Com isso, as vendas de importados nos supermercado subiram em outubro até 15%, frente a igual período de 2009.

Dólar baixo combinado com alimentos em alta no mercado nacional fizeram a receita de preços díspares à mesa. Exemplos não faltam no varejo.

Pelo delivery do Pão de Açúcar, é possível comprar meio quilo de lascas de bacalhau por R$ 10,35 — preço menor do que 500g de contra filé (R$ 12,99). Já no site do Zona Sul, queijo brie francês President sai por R$ 11,96; já a mesma quantidade da Campo Lindo custa 32,9% a mais. Na Lidador, o vinho português Monte Velho sai por R$ 23,98; já o nacional Dom Laurino sai 104% a mais, por R$ 49.

— Além de peru mais caro do que o bacalhau, há várias distorções de preço no mercado. É um dos efeitos do dólar baixo — comentou Jaime Xavier, diretor de Marketing do Zona Sul.

Chocolate suíço mais barato que artesanal

Segundo Genival de Souza, diretor do Prezunic, no caso das carnes, a oferta menor de bovinos intensifica a alta dos preços e ainda aumenta a distância dos cortes frente ao bacalhau: — Com isso, os consumidores migram de produtos, substituindo artigos e passando a comprar mais importados. Esses artigos, que tiveram uma redução de preço de entre 5% e 10%, terão no fim de ano vendas 15% maiores em relação ao mesmo período de ano passado.

De acordo com Luís Garcia, gerente da Lidador do Shopping Tijuca, a negociação com as importadoras foi mais atrativa para a loja e, assim, os produtos nacionais ficaram em desvantagem: — É uma pena, mas infelizmente é uma competição dura. Em alguns casos, nem vale colocar certos produtos à venda, como chocolates. Os produtos brasileiros que têm melhor qualidade, os artesanais, saíam por cerca de R$ 13. Já um tablete de 100g de legítimo chocolate suíço por R$ 9,25.

Não há dúvidas que o consumidor sempre opta pelo importado.

José de Sousa e Silva, diretorpresidente da Bolsa de gêneros Alimentícios do Rio (BGA), avalia que a vantagem de preço dos produtos de fora sobre os nacionais é resultado de três fatores: problemas climáticos no país, que encareceram os alimentos, a alta carga tributária que incide sobre os brasileiros e o câmbio valorizado. Por isso, disse Silva, o salmão chega ao varejo por até R$ 27 o quilo, enquanto o filé mignon — que subiu 17,59% nos últimos 12 meses segundo o IPCA — sai por R$ 32 o quilo, e a picanha maturada por até R$ 40.

Analistas aumentam projeção de inflação

Depois de três meses de queda, os alimentos voltaram a subir e, pelo IPCA (índice usado nas metas de inflação do governo), subiram 1,40% em setembro. Por outro lado, o dólar tem ajudado a segurar a inflação. O economista Gian Barbosa, da Tendências Consultoria, calcula que, se o real não tivesse se valorizado frente ao dólar no ano, o IPCA acumulado em 2010 seria 0,20 ponto percentual maior.

— O efeito câmbio atinge apenas bens comercializáveis (com potencial para importação ou exportação).

A maioria dos alimentos in natura e o feijão, por exemplo, que puxaram pra cima a inflação do ano, não são influenciados pelo valor do dólar, já que não podem ser importados.

Além disso, a valorização do real coincidiu com graves problemas climáticos no exterior, o que também aumentou os preços dos alimentos importados — disse Barbosa.

André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que o ano foi de pressão nos alimentos: — As maiores pressões inflacionárias foram exercidas por problemas de oferta de alimentos nacionais e estrangeiros, como o feijão carioca, produzido na Bahia, e trigo russo.

Os economistas do mercado aumentaram ligeiramente suas projeções para a inflação este ano. Segundo o boletim Focus, do Banco Central (BC), os analistas pioraram, pela sexta semana seguida, suas previsões. Agora, enxergam o IPCA a 5,27%, frente aos 5,20% do levantamento anterior, por conta sobretudo das alta no preço dos alimentos.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Bolivarianos

Mais 3 Estados têm projetos para monitorar a mídia
Folha de S. Paulo - 25/10/2010
DEPOIS DE CE, BA, AL E PI SE PREPARAM PARA IMPLANTAR ÓRGÃOS DE CONTROLE
Entidade de empresas de rádio e TV teme que objetivo seja simular "clamor para justificar" criação de órgão federal
ELVIRA LOBATO
DO RIO
Ao menos mais três Estados -Bahia, Alagoas e Piauí- preparam-se para implantar conselhos de comunicação com o propósito de monitorar a mídia.

A criação dos conselhos foi recomendação da Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano passado, por convocação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Ceará foi o primeiro a tomar a iniciativa. Na terça-feira, a Assembleia Legislativa do Estado aprovou a criação de um conselho, vinculado à Casa Civil, com a função de "orientar", "fiscalizar", "monitorar" e "produzir relatórios" sobre a atividade dos meios de comunicação, em suas diversas modalidades.

O governo de Alagoas estuda transformar um conselho consultivo - existente desde 2001 e pouco operante- em deliberativo, com poder de decisão semelhante ao aprovado pelo Ceará.

A modificação foi proposta pelo conselho atual e será examinada pela Casa Civil e pela Procuradoria-Geral do Estado. O governador é Teotonio Vilela Filho (PSDB).
 
Segundo o presidente do conselho, Marcos Guimarães, entre as novas funções estaria o monitoramento da programação da mídia.

"Não podemos cruzar os braços. Nem tudo que vai ao ar é agradável à sociedade alagoana", afirmou.

Ele diz que o conselho atual já exerce, de certa forma, esse papel.
 
"Se um programa agride o cidadão, o conselho recomenda à empresa que o modifique, mas ela não tem obrigação de acatar a sugestão, porque ele é só consultivo. Quando for deliberativo, poderá tomar medidas efetivas, respeitando a legislação das concessões", afirmou.

No Piauí, foi proposta a criação de conselho com atribuição de denunciar às autoridades "atitudes preconceituosas de gênero, sexo, raça, credo e classe social" das empresas de comunicação.

Caberia ainda a esse conselho vigiar o cumprimento das normas de radiodifusão pelas emissoras locais e de denunciá-las à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e ao Ministério das Comunicações em caso de desrespeito à legislação.
O projeto foi feito por um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) e encaminhado à Assembleia Legislativa.

Na Bahia, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado. A minuta do regulamento do conselho foi feita por um grupo de trabalho constituído em novembro do ano passado pelo governador Jaques Wagner (PT), que foi reeleito.
O secretário de Comunicação, Robinson Almeida, negou que haja intenção do governo do Estado de cercear a imprensa. Disse que o projeto está em análise na Casa Civil e não será divulgado antes de passar pelo crivo jurídico.

Além desses três Estados, em que há envolvimento direto do Executivo, tramita em São Paulo projeto semelhante ao aprovado no Ceará, como revelou o Painel ontem.
O texto do líder do PT, Antonio Mentor, prevê a criação de conselho parlamentar que teria, entre outras funções, a de fiscalizar as outorgas e concessões de rádio e TV.

FALTA DE COMPETÊNCIA
O diretor-geral da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), Luís Roberto Antonik, chama a atenção para o fato de que Estados não têm competência para regular a atuação da mídia.

A Abert teme que o movimento em vários Estados vise simular um "clamor para justificar o governo federal propor o controle social sobre a mídia". De acordo com ele, a entidade ainda está analisando as medidas a tomar para evitar que o movimento prospere. "Tutelar a mídia é um retrocesso que o Brasil não merece", afirmou.
 
O presidente da Alert (Associação Alagoana de Emissoras de Rádio e Televisão) e diretor da Rádio Gazeta, Gilberto Lima, que integra o conselho consultivo existente no Estado, disse que, para o órgão ganhar poder, o estatuto tem de ser mudado.
 
Ele disse que votará contra cláusulas que permitam o cerceamento da mídia.

Do blog do Noblat

"LULA É MUITO MENOR DO QUE A CADEIRA QUE OCUPA"
(...)
O que disse Lula a respeito do episódio do Rio protagonizado por Serra e por militantes do PT só confirma uma vez mais o quanto ele é menor - muito menor - do que a cadeira que ocupa há quase oito anos.

Lula foi sarcástico quando deveria ter sido solidário com Serra, de resto seu amigo de longa data.
Foi tolerante e cúmplice da desordem quando deveria tê-la condenado com veemência.

Foi cabo eleitoral de Dilma quando deveria ter sido presidente da República no exercício pleno da função.

Sua popularidade poderá seguir batendo novos recordes -e daí? Não é disso que se trata.

Popularidade é uma coisa passageira. Grandeza, não. É algo perene. Que sobrevive à morte de quem a ostentou.

Tiririca é popular. Nem por isso deve passar à História como um político de grandeza.

No seu tempo, Fernando Collor e José Sarney, aliados de Lula, desfrutaram de curtos períodos de intensa popularidade. Tancredo Neves foi grande, popular, não.

Grandeza tem a ver com caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade. Tudo o que falta a Lula desde que decidiu eleger Dilma a qualquer preço.

sábado, outubro 23, 2010

Do blog do Reinaldo

Dilma Rousseff e Gilberto Carvalho dão as ordens para a produção de dossiês
veja-dossiesO Planalto tem um comando que perverte a República e tenta transformar o estado brasileiro em uma central de ilegalidades a serviço do PT. No comando estão ninguém menos do que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República —aquela que Lula, o grande líder dessa facção, chama de “mãe do Brasil — e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência da República. Ao menos é o que sugerem gravações a que VEJA teve acesso. Carvalho agora é réu no processo que investiga falcatruas em Santo André (ver posts abaixo) durante a gestão Celso Daniel, o prefeito assassinado em circunstâncias que até hoje chocam a lógica. Foi nessa cidade, no governo petista, que se criou o software de transferência de recursos públicos para o PT.
“Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazes dossiês (…). Eu quase fui preso como um dos aloprados”.
A frase acima e de Pedro Abramovay, secretário Nacional de Justiça, e integra gravações feitas legalmente (e devidamente periciadas) a que a reportagem da VEJA teve acesso. Revela-se a tentativa clara de transformar o Ministério da Justiça numa mera repartição do PT, a serviço da destruição dos inimigos.
Abramovay cedeu às pressões? A referência aos aloprados remete a outra personagem da República, hoje integrado ao núcleo da campanha de Dilma Rousseff: o mui moralista Aloizio Mercadante, candidato derrotado do PT ao governo do Estado. Quando estourou o escândalo dos aloprados, em 2006, Abramovay trabalhava para o senador. Qual foi a sua atuação no episódio? Mercadante sempre jurou que nunca teve nada com isso. Se Abramovay, como ele diz, “quase foi preso”, a gente é tentado a achar que não estava apenas cumprindo as suas funções institucionais de segunda a sexta ou regando o jardim no sábado — atividades que não expõem ninguém à ação da polícia.
Leiam a reportagem de Gustavo Ribeiro na VEJA desta semana e perceba o que acontece com as instituições quando o país é governado por um chefe de facção, não por um chefe de governo, que tem dimensão de sua grandeza.

Do blog do Noblat

Deu em O Globo

Impedir a violência na campanha (Editorial)

A primeira vítima em campanha eleitoral é a verdade. A frase, adaptada da opinião de um senador americano sobre a veracidade da cobertura jornalística feita da Primeira Guerra Mundial, pode muito bem ser aplicada a algumas passagens desabonadoras do atual embate entre o lulopetismo, capaz de tudo para não deixar de usufruir as benesses do poder, e a oposição.

A escalada da atuação do presidente Lula como animador de comício, cabo-eleitoral, instigador de grupos de militantes nas ruas, é em grande parte responsável pelo acirramento indesejável dos ânimos.
Tendo jogado às favas a liturgia do cargo, avançado sobre as fronteiras estabelecidas pela legislação eleitoral para o uso de recursos públicos a favor de candidatos e partidos, o presidente dá péssimo exemplo a uma sociedade que precisa exercitar ao máximo a virtude de conviver na diversidade de opiniões, uma característica da democracia ainda com raízes pouco profundas em solo brasileiro.

A esperteza rasteira e o cacoete doentio de sempre olhar a realidade pela ótica míope da conspiração são características de momentos desta campanha expostas na reação de Lula, de sua candidata Dilma, de dirigentes lulopetistas e militantes diante da agressão ao candidato José Serra, cometida por um grupo de dilmistas no subúrbio do Rio, na quarta-feira.

Por sinal, ato tão deplorável quanto a tentativa de se atingir Dilma Rousseff com sacos de água, no Centro de Curitiba, no dia seguinte.

Além das demonstrações de violência na campanha, assusta a atitude do presidente Lula de - ao confundir as cenas filmadas na caminhada do candidato tucano pelo bairro de Campo Grande, local da agressão - acusar Serra de montar uma farsa depois de ser atingido na cabeça por uma pequena bola de papel.

O virtual chefe da campanha de Dilma foi apressado e cometeu grave erro, como comprovado pelo “Jornal Nacional” de quinta-feira: quinze minutos depois da bolinha de papel, Serra foi de fato atingido por uma bobina.

O desabonador comportamento do presidente Lula, mais próximo ao de líder de facção sindical do que de chefe de nação, justifica que se façam especulações sobre a que ponto pode checar a criatividade lulopetista na sabotagem e ataque a adversários vistos como inimigos a serem extirpados.

E assim segue para sua fase final uma campanha em que pouco se debatem propostas objetivas; na qual a oposição acena com compromissos demagógicos de aumentos de salário mínimo, aposentadorias e bolsas assistencialistas, enquanto a candidata oficial aceita o papel de boneca de ventríloquo do lulopetismo, e oferece ao povo a perenidade da atual conjuntura econômica, um compromisso impossível de ser cumprido, por razões internas, externas e ambas.

Ao lado disso, terminou ocorrendo indesejável contaminação da política por crenças religiosas, mistura perigosa que ajuda a exaltar ânimos e a interditar temas, como o do aborto, ou pelo menos a impedir discussões sem hipocrisias por parte de quem se candidata a assumir o principal cargo do Executivo em um Estado laico.

Que agora, ao menos, tratem de não insuflar militantes, desestimulem qualquer ato de violência, missão em que o presidente Lula, por sua liderança e cargo, tem papel-chave.
Uma aula sobre politicagem, com muito humor: aqui

Do blog do Fernando Rodrigues

01h26 - 22/10/2010
 

Desfecho ainda está na mão dos indecisos

A pesquisa Datafolha realizada ontem (21.out.2010) é positiva para Dilma Rousseff (PT) porque: 1) demonstra que a petista estancou a sangria de votos e 2) voltou a abrir uma vantagem acima de 10 pontos sobre José Serra (PSDB).

Na conta dos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), a petista tem 56% contra 44% do tucano. Ou seja, 12 pontos de vantagem.

Quando se consideram os votos totais, Dilma tem 50% contra 40% de Serra. Os que dizem votar em branco, nulo ou nenhum permaneceram estáveis, com 4%. Os indecisos são 6%.

Qual é o espaço disponível (se é que há) para mudanças nesse cenário?

Resposta: os eleitores indecisos (6%) e os que ainda consideram a hipótese de alterar a decisão tomada sobre o voto (10%).

É claro que fica cada vez mais apertado o calendário para Serra tentar algum tipo de reviravolta na eleição. Mas não custa lembrar que em 21 de setembro (a pouco mais de dez dias do primeiro turno), Dilma tinha 54% dos votos válidos contra 45% de todos os outros adversários somados.

Nesse período pré-primeiro turno, o Blog ouviu uma proposta de aposta de uma pessoa importante da coordenação de Dilma: “Aposto com você que termina no primeiro turno. Ela ganha cm 56% a 57% dos votos”. O Blog não aceitou a aposta.

É claro que hoje a conjuntura é outra. Só há dois nomes no ringue e Dilma fica mais favorita –até porque Lula está batendo recorde atrás de recorde de popularidade. Ainda assim, a prudência recomenda não fazer apostas.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Jeito petê de fazer campanha, vigemaria!!!

Do blog do Noblat

Enviado por Ricardo Noblat -
21.10.2010
| 19h20m

Quebra de sigilo - Jornalista não falou em proteger Aécio

Nota recém-saída do forno e assinada pelo senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB:
"O Brasil assiste atônito à mais grave evidência de uso político e partidário das instituições do Estado, agravada pela manipulação de documentos oficiais sob responsabilidade direta do Poder Público.
Primeiro, o presidente da República anuncia ao País que a Polícia Federal se pronunciará sobre a investigação a respeito da quebra do sigilo fiscal de integrantes do PSDB, numa demonstração explícita de que o conteúdo do posicionamento de uma investigação policial, que se pretendia isenta e sigilosa, seria favorável ao seu partido, o PT.
O Brasil então quer saber:
Se o assunto é tão relevante a ponto de merecer a participação direta do presidente da República, por que a Polícia Federal não divulgou a íntegra dos depoimentos?
A resposta é simples. A leitura dos depoimentos joga por terra toda a farsa montada pelo PT para esconder as vergonhosas e inaceitáveis ações que ocorreram verdadeiramente dentro do comitê da campanha da candidata Dilma Rousseff, em Brasília.
Nas últimas 24 horas o PT, o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff usaram de todos os meios para dizer aos brasileiros que a criminosa ação de venda e de vazamento de dados sigilosos da Receita Federal ocorreu a partir de uma disputa interna do PSDB entre José Serra e Aécio Neves. Disseram isso publicamente a jornalistas e aos eleitores brasileiros.
A candidata Dilma Rousseff afirmou literalmente que o jornalista sob investigação, Amaury Ribeiro Júnior, em seu depoimento à Polícia Federal, teria declarado “que fez o trabalho dentro de um conflito entre dois candidatos à presidência dos tucanos”.
Dilma avalizou perante o País inteiro a versão de que o vazamento de dados fiscais da família de José Serra foi uma iniciativa com o objetivo de proteger o governador Aécio Neves contra dossiês feitos por pessoas ligadas ao governador Serra.
A leitura do depoimento prestado pelo jornalista à Polícia Federal, no entanto, revela exatamente o contrário e joga por terra a tentativa do PT de fraudar a verdade: em nenhum momento o jornalista disse ter feito qualquer investigação com o objetivo de proteger o governador de Minas de ações de pessoas ligadas ao governador Serra.
O depoimento é inequívoco ao mostrar as digitais dos responsáveis por negociações e estratégias inaceitáveis num processo de disputa eleitoral de um País democrático. Os nomes estão declarados pelo jornalista e não são de tucanos, e sim do PT.
O depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Júnior traz revelações importantes e necessárias para conhecimento e reflexão dos eleitores brasileiros. São elas:
1- O jornalista diz textualmente que houve pelo menos duas reuniões de integrantes do comitê da campanha de Dilma Rousseff, com data, hora e endereços identificados em Brasília, com o objetivo de contratar serviços de espionagem contra José Serra.
2- Que o comitê da candidata Dilma analisou propostas financeiras feitas para contratação de serviços de espionagem contra integrantes do próprio PT e contra integrantes do PSDB.
3- Que havia uma disputa interna por poder entre dirigentes do PT dentro do comitê da candidata em Brasília.
4- E, por fim, o jornalista atribui claramente a Rui Falcão, do PT, o vazamento dos dados fiscais obtidos por ele.
O depoimento do jornalista revela mais:
Que a obtenção dos dados fiscais ocorreu no final de setembro em data na qual Amaury Ribeiro Júnior, não trabalhava mais para o jornal Estado de Minas. Documentos da empresa mostram que o jornalista encontrava-se em férias, tendo voltado em 14 de outubro para pedir demissão.
Que enquanto trabalhava no jornal, suas despesas eram custeadas pela empresa e, durante o período das férias, suas despesas passaram a ser custeadas por pessoas. Quem pagava as despesas de Amaury? Por que ele sempre passava por Brasília antes de seguir para São Paulo, conforme demonstra a investigação?
As perguntas que o País quer ver respondidas são de quem era o dinheiro que despachante Dirceu Rodrigues Garcia disse à Polícia Federal ter recebido em sua conta corrente em agosto deste ano?
O presidente da República e Dilma Rousseff devem ainda explicar ao País quem autorizou a integrantes do comitê da candidata a fazer negociações de contratos para espionagem e que envolveriam até a contratação de transporte de dinheiro de Caixa 2, conforme afirmou o jornalista em seu depoimento à Polícia Federal.
Todos, incluindo o PSDB, esperam os esclarecimentos que se fazem necessários e urgentes ao País."

Alto custo das baterias é obstáculo para carros elétricos

Autor(es): Mike Ramsey | The Wall Street Journal
Valor Econômico - 21/10/2010
 
O esforço para pôr carros elétricos nas estradas é apoiado por governos e montadoras de todo o mundo, mas eles enfrentam um obstáculo que pode ser difícil de superar: o custo teimosamente alto das enormes baterias que alimentam os veículos.
Tanto a indústria quanto os governos apostam que um rápido aumento das vendas de carros elétricos vai derrubar o preço das baterias, que podem corresponder a mais de metade do custo de um veículo elétrico. MAIS

quarta-feira, outubro 20, 2010

terça-feira, outubro 19, 2010

A difícil missão de Dilma Rousseff

Arnaldo Jabor - Arnaldo Jabor

O Estado de S. Paulo - 19/10/2010


"Dilma faz isso, Dilma faz aquilo... Dilma, corta o cabelo! Dilma se maquia mais rosadinha! Dilma você está sem emoção, tem de passar mais verdade... Dilma, seu sorriso não está sincero... Dilma isso, Dilma aquilo..."


(Coitada da pobre senhora que, canhestramente, segue as ordens do patrão e dos petistas que a usam para ficar eternamente em seus buraquinhos ou para realizar o que seria a torta caricatura de um vago socialismo, que não passa de uma reles aliança com a banda podre do PMDB.)

"Dilma, não fale nada de novo sobre aborto que você já deu uma entrevista na TV e agora não adianta desmentir. Dilma, ajoelha, isso, sei que está cansada, mas ajoelha e faz cara de religiosa devota de Nossa Senhora Aparecida; Dilma, eu sei que você é ateia, que para você a religião é o ópio do povo, mas, dane-se, ajoelha e reza, mas não fica com a cara muito em êxtase feito uma madre Teresa de Calcutá, não, que eles desconfiam. Dilma, levanta e vai confessar e comungar, mas não conte tudo ao padre, não, porque esses padres de hoje não são confiáveis e podem fazer panfletos. Dilma isso, Dilma aquilo!... Sei que foi duro para você, bichinha, ser preterida pela Marina, tão magrinha, uma top model do seringal , sabemos de tudo que você tem sofrido, mas você é uma revolucionária e tem de aguentar as intempéries para garantir os empregos de tantos militantes que invadiram esse Estado burguês para "revolucionar" por dentro. Viu, Dilma? Feito ensinou aquele cara italiano, que os comunas vivem falando, o tal de Gramsci... só que nosso Gramsci é o Dirceu.... ah ah... Você tem de esquentar minha cadeira ate 2014, pois você acha que vou ficar de pijama em São Bernardo?"

Aí, chegam os marqueteiros, escondendo sua depressão, pois o segundo turno não estava em seus planos de tomada do poder:

"Dilma, companheira, esculacha bem o FHC e o Serra , pois você pode inventar os números que quiser, porque ninguém confere. Diz aí que nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria! Claro que é mentira, pô, mas diz e esconde que foi o governo do FHC que inventou o Bolsa Família e negue com todas as forças se disserem que o Plano Real tirou 30 milhões da faixa de pobreza, quando acabou com a inflação. Esqueça no fundo de tua mente que a inflação só ameaçou o Plano Real quando Lula barbudo ia vencer...

Mas, quando o Duda escreveu a cartinha do Lulinha "paz e amor", a inflação voltou ao normal.

Dilma, você tem de negar em todos os debates que o PT tentou impedir o Plano Real no STF, assim como não assinou a Constituição de 88 para não compactuar com o "Estado burguês"; todos têm de esquecer que fomos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que demos força a todos os ladrões que pudemos para manter as alianças para nosso poder eterno, pois as ordens do companheiro Dirceu ("sim, doutor Dirceu, como está? Estamos ensinando aqui à dona Dilma suas recomendações...") eram: atacar tudo do governo FHC, mesmo as coisas inegavelmente boas. Dilma, afirme com fé e indignação que as "privatizações roubaram o patrimônio do povo", mesmo sabendo que a Vale, por exemplo, quando foi privatizada em 97 valia 8 bilhões de reais e que hoje vale 273 bilhões, que seu lucro era de 756 milhões e que agora é de 10 bilhões, que seus empregados eram 11 mil e que agora emprega 40.000. Mesmo sabendo que a Embraer entregava 4 jatos em 97 e que agora entrega 227, que a telefonia não existia na Telebrás e que agora quase todos os brasileiros têm celular. Não podemos divulgar, mas a telefonia privatizada aumentou o número de telefones em 2.500 por cento... Isso. Mas, não diga nada...

Pode citar número quanto quiser que ninguém confere... diga que os municípios têm saneamento básico, quando metade deles não tem esgoto nem água tratada, depois de nossos oito anos no poder... Pode dizer o que quiser. Viu o belo exemplo do Gabrielli, que ousou dizer que o FHC queria que a Petrobras morresse de inanição e que o Zylberstajn era a favor da privatização do pré-sal"? Ninguém contesta, mesmo sendo publicado o que FHC escreveu na época, dizendo que "nunca privatizaria a Petrobras". Diga sempre que a culpa é das "elite", que o povão do Bolsa acredita... Dilma, faz isso, faz aquilo... Dilma, sobe no palanque, desce do palanque..."

(Eu acho que Dilma é uma vítima. Uma "tarefeira" do narcisismo de Lula. Agora que Dilma não tem mais certeza de que vai vencer, seu semblante é repassado por uma vaga inquietude. Gente autoritária odeia dúvidas, porque a dúvida não é "de esquerda"; a dúvida é coisa de pequenos burgueses - como dizia Marx: "Pequeno burguês é a contradição encarnada." Lula também odeia dúvidas...Ele fica retumbante quando vitorioso, mas sua cara muda com fracassos. Lembram do seu pior momento, quando explodiu o mensalão?

Agora Lula está deprimido de novo, o PMDB está angustiado, querendo trair, como mostra a cara do candidato a vice-presidente, o mordomo inglês de filme de terror... Lula teme a derrota, como se caísse de volta na linha de pobreza que ele diz que interrompeu. Talvez no fundo, Dilma tema a própria vitória, porque terá de aguentar o PMDB exigindo coisas, Força Sindical, CUT, ladrões absolvidos, renunciados, cassados, novos corruptos no poder, novas Erenices, terá de receber ordens do comissário do povo Dirceu, terá de beijar e gostar do Sarney, Renan, Collor, seus aliados. Vai ter de beijar com delícia o Armadinejad, o beiçudo leão de chácara Chávez, o cocaleiro Evo, com o MST enfiando bonés em sua cabeça, vai ter de aturar as roubalheiras revolucionárias dos fundos de pensão que já mandaram para o Exterior bilhões em contas secretas.

Coitada da Dilma - sendo empurrada com a resignação militante, para cumprir ordens, tarefas, como os militantes rasos que pichavam muros ou distribuíam panfletos. Dilma às vezes dá a impressão de que não quer governar... Ela quer sossego, mas não deixam...

Como é que fazem isso com uma senhora?
Os petistas levaram a sério o slogan “o petróleo é nosso”. O povo, entrementes, paga um dos preços mais altos do mundo pelo combustível.
JEITO PT DE FAZER POLÍTICA

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Do blog do Fernando Rodrigues:

Pesquisas funcionam como fator mobilizador

Vox Populi também é contratada pelo PT e resultado animará militância de Dilma

Não vem ao caso se as pesquisas acertaram ou erraram nos diagnósticos do primeiro turno. O fato é que há uma obsessão por sondagens eleitorais na política brasileira. Nesse sentido, o Vox Populi (contratado do PT e da campanha de Dilma Rousseff) ajuda a turbinar a campanha da petista ao dizer hoje (19.out.2010) que ela tem 57% dos votos válidos contra 43% de José Serra (PSDB).

Não custa lembrar que o Vox Populi foi dos principais institutos de pesquisa o que mais se distanciou da realidade nos dias que antecederam o primeiro turno presidencial de 3 de outubro. Agora, nada impede que esteja certo. Aqui, todas as pesquisas deste ano de 2010

Do ponto de vista da política eleitoral, da campanha, a pesquisa Vox Populi realizada nos dias 15 a 17 de outubro serve como alavanca para a militância petista.

Houve grande desmobilização por parte do PT e do PSDB nos dias que sucederam ao primeiro turno. Os bons percentuais em pesquisas servem para galvanizar apoios –no caso, para Dilma. Os militantes ficam mais animados. E, é claro, na campanha com menos pontos na pesquisa, o efeito é oposto.

Para terminar, não dá para deixar de relatar a piada de hoje em Brasília quando saiu a pesquisa Vox Populi. Um gaiato que acompanha política há décadas disparou:

--Você viu? O Vox Populi está dizendo que a Dilma ganhou no primeiro turno.
LULA: "PLANO REAL É UM ESTELIONATO ELEITORAL"


SERGIO GUERRA ACUSA VOX POPULI DE FAZER PESQUISA SEM VERGONHA

Daiane Cardoso, da Agência Estado
No dia em que uma nova rodada da Pesquisa Vox Populi apontou 12 pontos de vantagem da petista Dilma Rousseff sobre o candidato tucano José Serra, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, acusou a instituição de trabalhar para o governo e para o PT. Em entrevista coletiva nesta manhã em São Paulo, o dirigente chamou o levantamento divulgado hoje “de pesquisa sem vergonha” e afirmou que o instituto promove uma “poderosa” ação combinada para interferir na intenção de voto.
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Guerra afirmou que o partido não pretende entrar com uma ação judicial para impedir a divulgação de novas pesquisas do instituto. Foto: Hélvio Romero/AE
De acordo com Guerra, o erro do instituto de pesquisa no primeiro turno (que indicava a vitória de Dilma Rousseff em 3 de outubro) prova que houve uma manipulação dos dados. “Não dá para acreditar que foi um erro. Foi uma safadeza, uma falta de respeito pelas instituições brasileiras”, acusou.
Segundo o dirigente, institutos de pesquisa, como Vox Populi, fizeram um trabalho sistemático contra as campanhas dos aliados do PSDB no primeiro turno e repetem a estratégia do que ele chamou “de nova conspiração.” Para ele, os “institutos de pesquisa se tornaram campanhas eleitorais.”
A preocupação do partido, enfatizou Guerra, é que a repercussão das pesquisas na imprensa interfira na escolha dos eleitores e afete o ânimo dos militantes. “É uma ação irresponsável e leviana de uma instituição que não tem neutralidade”, afirmou.
Guerra afirmou que o partido não pretende entrar com uma ação judicial para impedir a divulgação de novas pesquisas do instituto Vox Populi, embora tenha alegado que a repercussão desse tipo de pesquisa deixa a democracia brasileira comprometida. “Não dá para aceitar calado que uma instituição como essa, que trabalha para o governo, que faz a campanha do governo, do PT, atue impunemente”, disse. No final, o tucano mandou um recado para o presidente do instituto: “Marcos Coimbra não vai eleger o presidente da República, ele não é o povo”, afirmou.

sábado, outubro 16, 2010

Do blog do Noblat

Enviado por Merval Pereira -
16.10.2010
| 8h04m
artigo

Conspirações

A possibilidade de perder uma eleição que já estava vencida no primeiro turno antes de as urnas se abrirem está levando a uma campanha extremamente agressiva por parte da candidata oficial Dilma Rousseff, e a que lideranças importantes do PT, como o governador eleito do Rio Grande do Sul Tarso Genro, já comecem a insinuar golpismos e a classificar uma eventual vitória tucana de “ilegítima”.
Com todas as pesquisas de opinião convergindo para o estreitamento da diferença entre os candidatos – a mais recente, do Datafolha, mantém a redução da diferença do primeiro para o segundo turno de 14 para 8 pontos – o comando da campanha petista sofreu uma intervenção branca, determinada pelo presidente Lula, que deu ao deputado federal Ciro Gomes, do PSB, e ao candidato petista derrotado para o governo, Aluizio Mercadante, plenos poderes para elevar o tom da campanha no rádio e televisão.
Também José Dirceu ampliou seu grau de influência nas decisões da campanha, e segundo informações é dele a orientação para que Dilma escolha com maior seletividade os debates de que participará nesse segundo turno.
Ontem o SBT anunciou o cancelamento do debate programado por “dificuldades de agenda dos candidatos”. O debate de amanhã na Rede TV/Folha está confirmado, mas ainda há dúvidas quanto ao da TV Record. Em 2006, o debate da Record no segundo turno não foi realizado, e a campanha tucana atribuiu o cancelamento a uma interferência da campanha petista.
A teoria da conspiração, que já surgira no primeiro turno quando começou a se consolidar a idéia de que a eleição poderia não ser resolvida no dia 3 de outubro, ressurgiu com a queda da diferença entre os dois candidatos, indicando que a dianteira de Dilma pode estar dentro do empate técnico.
Como as pesquisas erraram no primeiro turno, dando para Dilma uma votação maior do que as urnas revelaram, o empate parece ser o resultado que melhor espelha a situação atual.
O governador eleito do Rio Grande do Sul pintou com tintas fortes o quadro político atual, ao falar na noite de quinta-feira em uma reunião partidária em Porto Alegre.
Segundo ele, está havendo "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas" contra o governo estabelecido.
Sem esquecer-se de culpar a imprensa pelo clima de golpismo que denunciava, Tarso Genro não deixou por menos: avaliou que a situação pode "redundar em uma eleição ilegítima", na qual um candidato quer se eleger "com base na mentira, na inverdade, na calúnia e na difamação".
Esse Tarso Genro eleito governador que fala de golpismo nesses termos é o mesmo que, dias depois da reeleieção de Fernando Henrique em 1998, publicou um artigo pedindo seu "impeachment".
Ontem, depois que a pesquisa Datafolha mostrou uma estabilidade em relação ao primeiro levantamento do segundo turno, a direção petista comentou que seus levantamentos internos demonstram uma recuperação de Dilma.
O que significa uma admissão de que a candidatura petista esteve em queda em algum momento deste segundo turno.
Levantamentos internos da campanha de Serra indicam uma situação oposta, mais favorável ao candidato tucano, e apontam a agressividade dos programas eleitorais da adversária como a maior prova de que a tendência de estreitamento da diferença está se mantendo.
A campanha tucana decidiu também entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com vários pedidos de direito de resposta aos programas de rádio e televisão dos petistas.
A análise feita na campanha tucana é que a propaganda petista está arriscando muito nas acusações, o que seria mais uma demonstração de que eles estão flertando com os limites da legislação eleitoral.
Um dos direitos de resposta será para o programa de ontem à noite, que acusa o então governador José Serra de ter mandado a polícia invadir a Universidade de São Paulo (USP) durante uma greve de professores.
Na verdade, foi a reitora da USP quem pediu na Justiça a reintegração de posse, e a polícia foi enviada para executar a ordem.
Também a insistência na acusação de que o ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zilberstein quer privatizar o pré-sal é alvo de um pedido de resposta.
Zilberstein é identificado pela propaganda petista como “principal assessor da área energética” da campanha de Serra, quando na verdade ele não exerce nenhuma função.
Zilbertein já divulgou uma nota desmentindo Dilma e esclarecendo que ele apenas defende o sistema de concessão na exploração do petróleo, que foi implantado pelo governo Fernando Henrique, em vez da partilha que o governo Lula quer adotar na exploração do pré-sal.
Se concessão fosse igual a privatização, como acusam os petistas, então o governo Lula já “privatizou” várias áreas do pré-sal, que foram licitadas pelo sistema que estava em vigor até a mudança da legislação.
Há também a acusação de que Serra privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), quando a empresa foi privatizada no governo Itamar Franco, onde Serra não exerceu função.
Ao mesmo tempo, Dilma tentar se livrar do impasse em que está desde que o tema “descriminação do aborto” surgiu na campanha, tomando conta do debate político.
Ontem, depois de muito relutar, ela divulgou uma carta em que se diz “contra o aborto”, mas não nega diretamente que seja contra a “descriminação do aborto”, e deixa para o Congresso decisões sobre esse e outros temas polêmicos, apenas prometendo que, eleita presidente, não enviará nenhuma lei que seja “contra a família”.
É uma tentativa de encerrar uma discussão que tem prejudicado muito seu desempenho. O tom mais agressivo, a crítica de que o debate sobre o aborto foi provocado por setores atrasados da oposição, e a campanha centrada na acusação de que os tucanos entregam o patrimônio público para investidores privados, tudo isso faz parte de uma estratégia para recuperar a parte dos votos da esquerda partidária que foi para Marina Silva no primeiro turno.
Em 2006 deu certo.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Da Folha.com

15/10/2010 - 08h32

Lula aparecerá mais na TV para [TENTAR] frear queda de Dilma

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VALDO CRUZ
RANIER BRAGON
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
Em meio a um de seus piores momentos, a campanha de Dilma Rousseff (PT) voltará a recorrer à popularidade do presidente Lula para estancar a queda nas pesquisas de intenção de voto.
Segundo a Folha apurou, os petistas decidiram aumentar a presença de Lula na TV e em eventos de rua para "mexer com o povão" e ajudar a mobilizar a militância.
A coordenação da campanha também definiu Minas Gerais e São Paulo como Estados prioritários, para evitar que a petista perca votos nos dois maiores colégios eleitorais do país, onde o PSDB venceu os pleitos regionais.MAIS

Do blog do Noblat

Enviado por Merval Pereira -
15.10.2010
| 7h36m
artigo

Acertando contas

Já escrevi aqui diversas vezes que considero que o governo Lula promoveu um retrocesso institucional no país que talvez seja a verdadeira herança maldita que legará a seu sucessor.A esterilização da política, com a cooptação dos partidos políticos para formar uma base parlamentar à custa de troca de favores e empregos; o mesmo processo de neutralização dos movimentos sociais e sindicais com financiamentos generosos.
Em consequência, o aparelhamento da máquina estatal, dominada pelo PT e alguns partidos aliados; a leniência com os companheiros que transgrediram a lei em diversas ocasiões, todos perdoados e devidamente protegidos.
Por fim, a própria postura do presidente Lula durante a campanha eleitoral, desprezando a legislação e menosprezando as advertências e multas do Tribunal Superior Eleitoral como se elas não tivessem significado.
Tudo isso levou o país a ficar anestesiado durante esses oito anos, num processo de centralização da liderança carismática de Lula que continua predominando na campanha eleitoral.
O quadro estava montado para que a campanha transcorresse de maneira anódina e sem debates, com a automática transferência de votos de Lula para a homologação da vitória no primeiro turno de sua "laranja" eleitoral, a candidata Dilma Rousseff que, segundo definição do próprio Lula, aparece na máquina de votar porque ele está impossibilitado de concorrer à Presidência da República pela terceira vez consecutiva.
Nas últimas semanas, dando a fatura por liquidada, o presidente Lula resolveu "acertar umas contas" com adversários escolhidos, segundo revelou a assessores próximos.
E lá se foi ele pelo país a falar mal da imprensa e fazendo campanha contra candidatos específicos: alguns, como os senadores Marco Maciel, do DEM de Pernambuco, Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, ou Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas, conseguiu derrotar.
Outros, não. Exortou o eleitorado a "extirpar" o Democratas em Santa Catarina e o partido elegeu o governador e os dois senadores da oposição.
Tentou evitar a reeleição de Agripino Maia para o Senado no Rio Grande do Norte, e o DEM não apenas o elegeu como também a governadora Rosalba Ciarlini.
Deve-se a esse "acerto de contas" do presidente boa parte do clima que levou inesperadamente a eleição para o segundo turno.
A figura do presidente raivoso e rancoroso, a buscar vingança de inimigos que deveriam ser meros adversários políticos, politizou uma campanha morna e fez surgir a dúvida entre parcela de eleitores, juntamente com questões específicas como as recorrentes denúncias de corrupção no governo, com o caso de Erenice Guerra no Gabinete Civil se destacando, e o debate religioso sobre o aborto.
Mas Lula parece que não aprendeu com a lição das urnas. Ontem, em meio a uma campanha que periga transformar-se em uma guerra religiosa, teve a ousadia de dizer em cima de um palanque que foi Deus quem derrotou os políticos que acabaram com a CPMF. Nomeou-se, assim, um intermediário divino no seu "acerto de contas".
O fato é que a 15 dias da eleição o resultado é imprevisível, e a média das pesquisas, embora mantenha uma ligeira vantagem para Dilma Rousseff, mostra que as curvas estão se aproximando e o empate técnico é o resultado que melhor reflete a situação atual.
Com uma desvantagem para a candidata oficial: ela vem perdendo posições em praticamente todas as regiões do país, e só ganha no Nordeste, que representa 29% do eleitorado brasileiro, por uma boa diferença, de cerca de 30 pontos (60,1% a 31,1%).
Mas o resultado do primeiro turno foi melhor para ela: 61,63% contra 21,48% de Serra e 16,14% de Marina. Isso quer dizer que Serra cresceu 10 pontos na região, e ainda existem cerca de 6 pontos de Marina sendo disputados.
No Norte-Centro-Oeste, que representa 15% dos votos, Serra vence Dilma por 5 pontos (45,7% contra 40,7%). Mas no primeiro turno, a petista venceu por pequena vantagem — 38,89%, contra 37,97% de Serra e 20,94% de Marina.
No Sudeste, onde estão concentrados 44% dos votos brasileiros, Serra já vence por 1 ponto, tendo perdido na apuração do primeiro turno, quando Dilma obteve 40,88%, contra 34,58% de Serra e 23,18% de Marina.
Dilma cresceu menos de 3 pontos na região, e está agora com 43,3% enquanto Serra foi a 44,7%, um crescimento de 10 pontos. Restam cerca de 13 pontos dos eleitores de Marina que ainda não se definiram, segundo a pesquisa CNT/Sensus.
No Sul, que representa 14% do eleitorado, Serra teve 43,01% no primeiro turno e hoje tem 56%, enquanto Dilma caiu para 36,4% contra os 42,10% que obteve no primeiro turno.
Com relação à pesquisa do Ibope, que deu uma vantagem de 6 pontos para Dilma, há uma questão a constatar: na pesquisa de 02 de outubro para o primeiro turno, o Ibope deu Dilma com 51%, Serra com 31% e e Marina com 17%.
A realidade das urnas no dia seguinte foi Dilma 47%, Serra 33% e Marina 19%, o que demonstra que o Ibope estava com uma defasagem de 6 pontos na diferença entre Dilma e Serra, apontando para uma diferença de 20 pontos que se transformaram em 14 pontos no resultado oficial.
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